A DOSIMETRIA E A DISRITMIA: FALA DE RENAN CALHEIROS EXPÕE RACHAS INTERNOS E CONFUSÃO NA BASE DO GOVERNO NO SENADO


Um discurso duro do senador Renan Calheiros (MDB-AL) no plenário do Senado Federal escancarou os bastidores da articulação política que levou à aprovação do projeto de lei da dosimetria das penas aplicadas aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. A proposta, já aprovada pela Casa, segue agora para sanção do presidente Lula e abre margem para redução de penas de diversos condenados, incluindo nomes centrais do cenário político nacional, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Renan não economizou críticas. Classificou a articulação como um “acordo infame” e revelou publicamente uma conversa reservada que teria mantido com o líder do governo no Senado. Segundo o relato, foi apresentado a ele um típico “toma lá, dá cá” legislativo, envolvendo temas de naturezas completamente distintas.

De acordo com Renan, o acordo consistiria no seguinte: o Senado aprovaria o projeto da dosimetria e, em contrapartida, avançaria também com a votação das desonerações tributárias, pauta sensível ao setor econômico e de interesse direto do próprio governo federal.

“Fui acompanhá-lo até uma sala ao lado… Qual não foi a surpresa quando ele falou que havia um acordo para o Senado votar hoje a dosimetria e, em contrapartida, o Senado votaria também as desonerações tributárias”, afirmou Renan, em discurso registrado em vídeo.

A fala causou forte repercussão nos bastidores e expôs algo ainda mais grave: a falta de sintonia dentro do próprio governo no Senado Federal. Ao tornar pública a negociação, Renan evidenciou que nem mesmo integrantes históricos da base governista concordam com a estratégia adotada para aprovar o texto.

O senador alagoano foi enfático ao afirmar que esse tipo de manobra desvirtua o processo legislativo, transformando temas de alto impacto jurídico e institucional em simples moeda de troca política, sem o devido debate público e sem respeito à gravidade dos fatos relacionados ao 8 de janeiro.

O episódio reforça a percepção de que a aprovação da dosimetria não foi apenas resultado de convencimento técnico ou jurídico, mas sim de uma articulação política frágil, conflituosa e marcada por contradições internas, que agora vêm à tona no próprio plenário do Senado.

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Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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