Um artigo assinado por Napoleão Maracajá trouxe à tona uma série de críticas ao estado de abandono do Açude Velho, principal cartão-postal de Campina Grande. No texto, o autor relata problemas como mau cheiro, avanço da vegetação e falta de manutenção, associando o cenário à crise administrativa vivida pela cidade.
Segundo Napoleão, o Açude Velho deixou de ser apenas um espaço simbólico e passou a refletir o sentimento de abandono enfrentado por servidores públicos e pela população. O artigo também direciona críticas à atual gestão municipal, liderada pelo prefeito Bruno Cunha Lima, apontando ausência de diálogo, insensibilidade administrativa e falta de ações concretas para reverter o quadro.
A seguir, o artigo publicado na íntegra:
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O Açude Velho e o retrato do abandono em Campina Grande
Por Napoleão Maracajá
O Açude Velho não é apenas um reservatório de água. Ele é símbolo, memória, identidade. É o cartão-postal de Campina Grande, o espaço onde milhares de pessoas caminham, respiram, conversam, tentam aliviar o peso da rotina e, muitas vezes, da própria vida. Mas hoje, o que se vê ali é desolador.
A caatinga tomando conta, o mau cheiro que afasta, o abandono visível, a falta de cuidado. Aquilo que deveria ser orgulho virou motivo de reclamação, revolta e tristeza. E o mais grave: o Açude Velho passou a refletir com precisão o estado da própria cidade, um retrato do caos administrativo, da desesperança e da desilusão de servidores e do povo de Campina Grande.
Não se trata apenas de estética urbana. Trata-se de gestão, de prioridade, de respeito com a população. Quando o principal cartão-postal de uma cidade é deixado à própria sorte, a mensagem é clara: o abandono virou método.
É preciso dizer com responsabilidade: o atual prefeito, Bruno Cunha Lima, não é o único culpado pela tragédia administrativa que Campina Grande enfrenta. Outras gestões também contribuíram para o cenário que hoje se impõe. Mas é igualmente necessário afirmar, sem rodeios, que ele é o responsável direto neste momento. É o gestor atual. É o líder que deveria se apresentar, dialogar, assumir problemas e apontar soluções.
Infelizmente, o que se percebe é o contrário. Uma gestão que se esconde, que reage com arrogância às críticas, que trata o servidor com descaso, que demonstra prepotência quando deveria demonstrar humildade e coragem política. Governar não é fugir, não é terceirizar culpas, não é silenciar diante do sofrimento de quem trabalha e de quem depende do serviço público.
O sofrimento dos servidores municipais é real. A angústia do povo também. Falta diálogo, falta planejamento, falta sensibilidade. E o Açude Velho, esquecido, mal cuidado, exalando mau cheiro, tornou-se metáfora perfeita dessa realidade: uma cidade cansada, maltratada e sem horizonte claro.
Cuidar do Açude Velho não é só limpar as margens ou controlar a vegetação. É cuidar da cidade como um todo. É respeitar quem caminha ali todos os dias. É respeitar a história de Campina Grande. É, sobretudo, assumir a responsabilidade de governar.
Campina Grande merece mais do que promessas vazias e discursos defensivos. Merece liderança, transparência, ação e compromisso real com o povo. Enquanto isso não acontece, o espelho está ali, à vista de todos: parado, malcheiroso e abandonado, como muitos se sentem hoje nesta cidade.
Napoleão Maracajá
Campina Grande, 11 de janeiro de 2026
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