Análise do estudo do Banco do Brasil sobre a economia da Paraíba


"Recebi um material do Banco do Brasil já faz algum tempo, mas só neste fim de semana consegui ler com calma. Peço desculpas pelo atraso, até porque alguns números já estão naturalmente desatualizados, pois o ponto de corte foi fevereiro último.

Mesmo assim, vale a pena compartilhar com nossos leitores, pois esse raio-x ajuda a entender melhor onde a Paraíba está e para onde pode ir.

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O relatório, publicado em março pela equipe de Assessoramento Econômico do Banco do Brasil, reúne dados do IBGE, Banco Central e outras fontes oficiais. O retrato é claro: a Paraíba responde por 0,9% do PIB nacional e 6,2% do PIB do Nordeste. Nosso PIB per capita é de R$ 21,7 mil, abaixo da média nacional e também dos estados vizinhos, como Pernambuco, com R$ 26 mil, e Rio Grande do Norte, com R$ 24 mil.

O setor de serviços domina, com 81% da economia, seguido pela indústria, com 14,6%, e a agropecuária, com 4,4%. Isso mostra que ainda dependemos de atividades de menor complexidade, embora existam nichos fortes em produtos como cana-de-açúcar, calçados e frutas.

O relatório também evidencia nossas contradições. A pobreza atinge 19% da população e o índice de Gini, que mede desigualdade de renda, sendo 0 a igualdade perfeita e 1 a desigualdade máxima, está em 0,56. Em outras palavras, a desigualdade permanece resistente. O rendimento médio de R$ 2,6 mil limita o consumo e confirma que, mesmo com avanços, há muito a evoluir.

É justo destacar que o governo da Paraíba fez o dever de casa no campo fiscal. As contas estão equilibradas, a dívida em níveis baixos e os gastos com pessoal dentro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Um ativo estratégico que dá confiança, garante capacidade de investimento e coloca o estado em posição de vantagem frente a vizinhos que enfrentam déficits mais severos.

Mas os desafios para o próximo governador são grandes. Reduzir desigualdades regionais, diversificar a matriz produtiva, investir em infraestrutura, dar continuidade a projetos turísticos como o Polo Cabo Branco e a revitalização do Centro Histórico, atrair grandes eventos para os centros de convenções de João Pessoa, Campina Grande e Patos, além de acelerar a agenda das energias renováveis, um trunfo que já projeta a Paraíba no cenário nacional.

No fim das contas, o relatório do Banco do Brasil nos mostra que temos conquistas a celebrar, mas também tarefas a cumprir. Os próximos quatro anos exigem foco e coragem, preservar o que foi construído e ousar no que falta.

E aqui é impossível não lembrar de Celso Furtado, nosso conterrâneo mais ilustre na economia. Ele sempre defendeu que desenvolvimento não é apenas crescer o PIB, mas criar condições para que o povo seja dono do seu destino. Hoje, olhando os dados da Paraíba, sua visão continua atual. Precisamos transformar potencial em inclusão, riqueza em qualidade de vida e estratégia em futuro."

Com informações de Suetoni Souto Maior

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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