O presidente da Câmara, Hugo Motta, resolveu encurtar caminhos e jogar luz sobre o óbvio: Eduardo Bolsonaro já bateu a cota de faltas que leva qualquer deputado à cassação. O anúncio foi feito nesta terça (9), com o paraibano deixando claro que o herdeiro político do ex-presidente atravessou a linha vermelha do regimento.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro, quando o cerco jurídico apertou contra ele, o pai e aliados no STF. Daí em diante, adotou o discurso de perseguição — com Alexandre de Moraes como alvo preferencial — e passou a despachar de longe, numa tentativa frustrada de manter o mandato vivo.
Os números entregam o estrago: foram 71 sessões em 2025, das quais Eduardo faltou a 56. Ou seja, quase 79%. A Constituição é objetiva: quem se ausenta de um terço das sessões perde o mandato. Motta apenas verbalizou o que o painel eletrônico já mostrava.
O deputado até tentou blindar-se com uma licença, mas o prazo expirou em julho, e o mandato voltou automaticamente para suas mãos — e para a contagem de faltas. Tentou, depois, exercer o mandato à distância e usar atalhos regimentais. Nada funcionou.
O regimento manda que a análise das faltas só ocorra no ano seguinte, em março. Mas Motta decidiu acelerar o relógio. Abriu agora, em dezembro, o processo que costuma esperar o calendário virar. Eduardo terá cinco sessões para apresentar defesa.
O presidente da Câmara, no entanto, não fez cerimônia: deixou claro que a Mesa Diretora deve concluir o procedimento pela cassação. Tudo encaminhado para ser decidido até a próxima semana.