Carta aberta ao Prefeito de Campina Grande, Sr. Bruno Cunha Lima


Dia do Servidor Público — 28 de Outubro


Senhor Prefeito,


Neste Dia do Servidor Público, escrevemos com o coração apertado e em nome de muitos campinenses que hoje compartilham o mesmo sentimento de indignação e tristeza diante da realidade da nossa cidade.


Quase tudo o que foi prometido no primeiro mandato não foi cumprido. Pior ainda: a situação se agravou.

As progressões estão paradas, o decreto das progressões continua engavetado e Campina Grande ainda não paga o salário mínimo nacional.


O adicional de risco de vida dos vigias, servidores que arriscam a própria segurança para proteger o patrimônio público, vale menos do que um botijão de gás.


E fica a pergunta que ecoa entre nós: quanto vale a vida de um vigia em Campina Grande?


Os prestadores de serviço, que foram fundamentais para a sua reeleição até esta data ainda não receberam seus salários.


Muitos estão passando necessidade, com contas atrasadas, e vivendo em situação de extrema vulnerabilidade.


Os servidores da saúde, que cuidam da população com dedicação e humanidade, há mais de um ano não sabem o dia em que vão receber seus salários.


Essa instabilidade tem causado transtorno, desespero e frustração na vida de seus familiares, que vivem na incerteza e na angústia.


Quem cuida da saúde do povo merece, no mínimo, respeito e previsibilidade.


Os servidores de apoio, tão essenciais para o funcionamento dos serviços públicos, sequer recebem o salário mínimo.


São esses trabalhadores que mantêm as escolas limpas, garantem a segurança e asseguram que cada repartição funcione.


Ignorá-los é negar o valor do trabalho que sustenta a estrutura da administração municipal.


A Educação, que o senhor chamava durante a campanha eleitoral de “a menina dos seus olhos”, foi golpeada no coração.


Mas, ao chegar ao poder, o senhor cegou a educação, ao acabar com as eleições livres, democráticas e diretas nas escolas e creches — um retrocesso que fere a autonomia, a participação e o espírito democrático que sempre foram marcas do povo campinense.


Após as eleições, o que restou foi o abandono: creches e escolas sucateadas, servidores desvalorizados, e um silêncio absoluto no lugar do diálogo.


Se a educação, que deveria ser prioridade, foi deixada de lado, imagine o restante da cidade.


Prefeito, o diálogo desapareceu. A crise é profunda, real e visível.


Fornecedores batem à porta da Prefeitura cobrando o que lhes é devido, mas não encontram ninguém disposto a atender.


É covarde atribuir a terceiros os próprios erros.


Chegamos ao ponto de se tentar colocar a culpa de tudo no Governo Federal.


Mas o povo sabe a verdade.


As poucas obras que existem hoje em Campina Grande são obras do Governo Federal, e ainda assim a gestão municipal as esconde.


Escrevemos esta carta com tristeza, mas também com esperança.


Os servidores públicos são o coração que mantém esta cidade viva.


São eles que limpam as ruas, cuidam das crianças nas escolas e creches, zelam pela saúde do povo, recolhem os impostos, organizam o trânsito e mantêm em funcionamento cada serviço essencial que o cidadão utiliza diariamente.


São, portanto, uma das partes mais importantes de qualquer sociedade — e merecem respeito, reconhecimento e valorização, não descaso.


Como disse Félix Araújo: “Esta terra de bravos não será terra de escravos, nem reinado de opressão.”


Não é possível aceitar que Campina Grande esteja condenada ao fracasso, regredindo em quase todos os aspectos, enquanto João Pessoa cresce a passos largos e a nossa cidade.


A culpa não é de quem critica, mas de quem administrou mal e continua gerindo pior.


Ainda há tempo de ouvir, de corrigir e de respeitar os servidores, que sustentam esta cidade com dignidade e suor. Mas, para isso, é preciso coragem para encarar a verdade.


Diante de tudo isso, senhor prefeito, o senhor consegue dormir bem?


Att.

A Direção do Sintab

Campina Grande, 28 de outubro

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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