Caso Master: a forca no ano eleitoral


"No Congresso Nacional, parlamentares já cogitam a instalação, no início do próximo ano, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) para apurar o chamado caso Master. Sob condição de anonimato, deputados e senadores afirmam que eventuais pares que tenham mantido relações com Daniel Vorcaro devem sucumbir à pressão da opinião pública. Na avaliação desses parlamentares, será inevitável o escrutínio das decisões adotadas pelo Banco Central, que, para muitos, demorou além do razoável para agir.

Além do Congresso, a atuação da autoridade monetária pode chegar ao Tribunal de Contas da União (TCU). O diretor do Banco Central poderá ser chamado a se explicar caso avancem as investigações sobre a responsabilidade do órgão no desfecho do caso Master. Um sinal do aumento da pressão ocorreu dias atrás, quando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O que mais intriga senadores e deputados é o fato de a área técnica do Banco Central ter aprovado, por duas vezes, uma saída de mercado, sem ônus para os cofres públicos, para solucionar as dificuldades enfrentadas pelo Master. Ambas as alternativas, no entanto, foram rejeitadas, em decisão considerada incomum nas práticas do BC, pelo diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Dias de Brito Gomes.

No mercado financeiro, as circunstâncias que levaram à rejeição dos pareceres técnicos são associadas ao fim do mandato de Gomes. No curto prazo, ele deverá cumprir o período de quarentena previsto em lei. No longo prazo, contudo, já se sabe que recebeu convites de instituições financeiras privadas, com propostas que incluem salários e bônus milionários.

Ao optar pela liquidação, o Banco Central deixou de considerar alternativas previstas na Lei nº 9.447, que poderiam viabilizar uma solução via mercado, como capitalização, transferência de controle acionário ou reorganização societária.

Parlamentares e analistas até compreendem que a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) — processo no qual o Banco Central teve participação intensa — tenha sido interrompida, uma vez que o BRB é uma instituição pública, sujeita a regras específicas. Menos compreensível, porém, foi a rejeição, por parte do BC, da oferta de R$ 3 bilhões apresentada pelo grupo Fictor, que envolvia investimento externo, seguida da decisão de intervir no Master já no dia seguinte. A proposta, segundo relatos, sequer foi considerada pela direção do Banco Central.

O grupo de senadores que defende a criação da CPI do Master avalia que eventuais vínculos de parlamentares com o esquema liderado por Vorcaro podem se tornar uma bandeira eleitoral relevante para aqueles que ficaram de fora do suposto arranjo. Resta saber, no plenário, quem são os nomes que só deixaram de “festejar” quando Vorcaro foi preso.

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado também reúne uma cronologia considerada intrigante dos acontecimentos no dia em que o Banco Central interveio no Master e a Justiça decretou a prisão de Daniel Vorcaro:

17 de novembro de 2025

12h30 – Assinatura do contrato de venda do Master para o grupo Fictor.

14h – Videoconferência com o Banco Central para definição dos passos seguintes do negócio.

15h30 – Anúncio da aquisição do Master pela Fictor.

16h – Abertura de processo administrativo pelo Banco Central.

16h55 – Juizado da 10ª Vara decreta a prisão cautelar de Daniel Vorcaro.

23h30 – Prisão de Vorcaro.

18 de novembro de 2025

05h55 – Liquidação do Banco Master.

xxh – Troca da direção do Master.

Também não passou despercebido o fato de a prisão de Vorcaro ter sido determinada sem a indicação de fatos individualizados, nem a apresentação de provas que sustentassem uma tentativa deliberada de fuga do país. De qualquer forma, essas informações — e muitas outras — ainda poderão vir à tona, a depender da decisão do plenário do Senado Federal e da Câmara dos Deputados sobre a instalação da CPI."

Com informações do Fatos On-line

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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