CASO UNIQUE BEACH - ATIVIDADES DEVERÃO SER SUSPENSAS DIANTE DOS GRAVES CRIMES AMBIENTAIS: MINISTÉRIO PÚBLICO APERTA O CERCO E ESCANCARA CONFLITO COM O UNIQUE BEACH E EXPOE AS IRREGULARIDADES EM ÁREA RESIDENCIAL COM GRAVE IMPACTO AMBIENTAL EM ÁREA PROTEGID

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  • 26 Fevereiro 2026


A decisão do Ministério Público da Paraíba joga luz sobre um problema que há muito tempo deixou de ser apenas um incômodo de vizinhança para se transformar em um caso clássico de choque entre atividade econômica, direito ao sossego e preservação ambiental. O alvo das denúncias é direto: o funcionamento do Unique Beach em uma área hoje totalmente ocupada por residências e inserida em um ecossistema de extrema sensibilidade.

A audiência confirmou oficialmente aquilo que os moradores vêm denunciando de forma insistente: níveis de pressão sonora muito acima dos limites legais, noites seguidas de perturbação, impactos à saúde de famílias inteiras e a sensação permanente de que a lei não alcançava o empreendimento. Quando o Ministério Público estabelece a obrigatoriedade de medição sonora durante os eventos — e não mais em testes ou passagens de som — reconhece, na prática, a gravidade da situação.

O argumento apresentado pelo Unique Beach de que seria “inviável” realizar tratamento acústico por se tratar de espaço aberto não apenas soa como uma justificativa frágil, mas funciona como uma admissão pública de que a atividade é incompatível com o local onde está instalada. Se não há como conter o som, não há como manter festas, shows e grandes eventos em meio a uma vizinhança composta por crianças, idosos e trabalhadores que precisam acordar cedo no dia seguinte.

A inviabilidade não é técnica.

A inviabilidade é social, urbana e humana.

O caso se agrava ainda mais com a constatação de irregularidades apontadas pela fiscalização: diferenças entre o projeto aprovado e a realidade do imóvel, ausência de documentação da área utilizada como estacionamento e necessidade de regularização de reformas internas. Não se trata apenas de poluição sonora — trata-se de um conjunto de indícios de funcionamento em desacordo com as normas.

A nova licença com limitação de horário não resolve o problema central: a presença de uma casa de eventos de grande porte em uma área que se transformou em território residencial. Shows, casamentos e festas privadas com público direcionado não têm qualquer relação com atividade turística. Não há fluxo aberto de visitantes, não há integração com a economia do turismo, não há contrapartida coletiva. Há apenas um modelo de negócio que impõe seus impactos a uma comunidade inteira.

E o ponto mais grave ultrapassa o debate urbano.

A área é reconhecida como ponto de desova de tartarugas marinhas, patrimônio ambiental protegido por legislação federal. Eventos noturnos com iluminação artificial intensa, estruturas montadas na faixa litorânea, som em altos níveis e circulação massiva de pessoas representam uma ameaça direta ao ciclo reprodutivo das espécies e ao equilíbrio da vida marinha.

Diante disso, a atuação dos órgãos ambientais federais deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade urgente.

O próprio Ministério Público foi claro ao advertir que o descumprimento das medidas poderá resultar em Inquérito Civil, Ação Civil Pública com pedido de suspensão das atividades e responsabilização penal ambiental. Em outras palavras: o Unique Beach passa a operar sob a linha direta das consequências jurídicas.

A decisão marca um divisor de águas porque desmonta a narrativa de normalidade que vinha sendo sustentada. O que antes era tratado como reclamação de moradores agora está documentado em procedimento oficial, com obrigações, prazos e ameaça real de fechamento.

A pergunta que ecoa entre os residentes — e que agora ganha força institucional — é simples e direta: como um empreendimento com esse nível de impacto conseguiu funcionar por tanto tempo em uma área residencial e ambientalmente sensível?

O caso deixa de ser apenas uma disputa local e assume contornos de interesse público, urbano e ambiental. O que está em jogo não é apenas o futuro do Unique Beach, mas o direito de uma comunidade inteira de viver em paz e a obrigação do poder público de proteger um dos trechos mais frágeis do litoral paraibano.


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Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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