A saúde pública de Campina Grande vive um cenário de colapso absoluto, com reflexos graves em toda a rede municipal. A crise, que já se arrasta há meses, tem como ponto central a falta de repasses da Prefeitura também ao Hospital João XXIII, unidade referência em cirurgias cardíacas pelo SUS, que estaria há mais de seis meses sem receber pelos serviços prestados.
O resultado é devastador e expõe um quadro de abandono administrativo. O Hospital João XXIII foi obrigado a suspender cirurgias cardíacas, enquanto anestesiologistas entraram em greve, cirurgiões paralisaram atividades e fornecedores deixaram de entregar materiais essenciais, inclusive insumos vitais para procedimentos com circulação extracorpórea. Sem esses materiais, não há cirurgia possível — e sem cirurgia, o risco de morte aumenta a cada dia.
A crise financeira interna se agravou ainda mais com o atraso de salários de funcionários da cirurgia cardíaca e de trabalhadores do próprio hospital. Profissionais relatam exaustão, insegurança e indignação diante da falta de pagamentos, enquanto seguem lidando com casos de extrema gravidade.
No centro desse colapso estão os pacientes. Há pessoas internadas em UTI há mais de um mês, aguardando cirurgias cardíacas que simplesmente não acontecem. Presos a leitos, muitos veem seu quadro clínico se deteriorar diante da demora e da ausência de soluções por parte do município.
Com a rede municipal incapaz de absorver a demanda, a saída encontrada tem sido empurrar pacientes para fora de Campina Grande. Transferências se tornaram rotina para hospitais do Governo do Estado em João Pessoa, transformando a capital em uma verdadeira válvula de escape de um sistema municipal quebrado. Além disso, pacientes também estão sendo encaminhados para o Hospital HELP, numa tentativa emergencial de evitar o pior.
Há ainda registros de transferências para o estado de Pernambuco, ampliando o drama das famílias, que precisam lidar com longos deslocamentos, incerteza e riscos adicionais à vida dos pacientes. Ambulâncias cruzam estradas diariamente, enquanto UTIs locais seguem lotadas e serviços permanecem paralisados.
Profissionais da saúde denunciam que o problema não se limita ao Hospital João XXIII, mas atinge toda a rede municipal de Campina Grande. O efeito dominó é claro: quando a Prefeitura não paga, hospitais param; quando hospitais param, pacientes ficam sem atendimento; e quando o sistema colapsa, vidas são colocadas em risco.
O silêncio da Secretaria Municipal de Saúde diante desse cenário só amplia a revolta. A população se pergunta: quantas vidas ainda precisarão ser expostas ao risco para que a Prefeitura de Campina Grande cumpra suas obrigações básicas? O caos está instalado, é visível, diário — e tem responsáveis.
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