O que se viu nesta quarta-feira em Campina Grande não foi apenas o cumprimento de uma decisão judicial. Foi um retrato constrangedor da desorganização administrativa que tomou conta da gestão municipal. Despejada por ordem da Justiça após sucessivos atrasos no pagamento de aluguéis, a Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Campina Grande protagonizou uma cena que entra para a antologia das esculhambações públicas.
Sem planejamento, sem estrutura e sem o mínimo de zelo institucional, a desocupação do prédio ocorreu às pressas — e com um detalhe que beira o inacreditável: garis foram mobilizados para realizar a “mudança”, em caminhão de coleta de lixo, equipamento totalmente inadequado para esse tipo de serviço. A distorção de funções escancarou o improviso e o desrespeito com servidores que deveriam estar cumprindo suas atribuições essenciais à limpeza urbana, não apagando incêndio administrativo.
A ordem de despejo foi concedida pela Poder Judiciário da Paraíba a pedido do proprietário do imóvel, que, segundo os autos, não conseguiu receber os valores devidos pela locação. O resultado foi um corre-corre constrangedor, com arquivos, móveis e equipamentos sendo retirados como se fossem entulho — tudo sob olhares atônitos de quem passava.
A ironia é cruel: a Secretaria de Administração, responsável por planejar, organizar e gerir contratos, mostrou na prática o oposto do que prega. A cena resume a crise: calote, ordem judicial e uma retirada improvisada, usando a estrutura da limpeza pública para tapar o rombo de uma gestão que falhou no básico.
Não se trata apenas de um despejo. É um símbolo do caos, do improviso elevado à política pública e da banalização do dinheiro público. Quando a administração vira “mutirão de emergência” com caminhão de lixo, algo está muito errado — e não é pouco.
A pergunta que fica não é retórica: quem paga a conta desse vexame? O proprietário, os servidores deslocados de suas funções, e a cidade, que assiste a mais um capítulo de desorganização virar rotina.
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