É uma bomba.
A cada novo dado revelado, cresce a indignação da população de Campina Grande com o escândalo da LAVAMEDI, empresa criada em 23 de dezembro de 2024 e que, em menos de um ano, recebeu mais de R$ 3,2 milhões da Secretaria Municipal de Saúde, na gestão do prefeito Bruno Cunha Lima, sem licitação.
A empresa, que supostamente presta “serviços de lavanderia hospitalar”, funciona em uma casa residencial na Rua Clementino Siqueira, nº 464, no bairro Jardim Tavares, e tem como sócia e administradora Elayne Mariano Oliveira, ligada à HPE Holding Participações LTDA, outra empresa registrada em uma modesta casa no bairro São José.
Enquanto isso, médicos, enfermeiros e servidores da Saúde Municipal seguem com salários atrasados, unidades sem medicamentos e equipamentos públicos sucateados.
OS FATOS
Documentos do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), disponíveis no SAGRES, mostram que a Prefeitura de Campina Grande, por meio do Fundo Municipal de Saúde, empenhou e pagou três contratos milionários à LAVAMEDI logo nos primeiros meses de 2025:
07/04/2025 — R$ 1.273.140,00
01/08/2025 — R$ 1.273.140,00
18/08/2025 — R$ 669.740,40
Tudo isso em uma velocidade incompatível com qualquer contratação pública regular — e sem licitação.
Parte desses valores aparece sob o termo “Reconhecimento de Dívida”, expediente usado quando não há contrato formal, o que agrava ainda mais as suspeitas.
UMA EMPRESA “MULTIUSO”
O CNPJ nº 58.541.682/0001-20, da LAVAMEDI PRO SERVIÇOS, CONSULTORIA E ATENDIMENTO HOSPITALAR LTDA, revela uma lista de atividades que beira o absurdo:
além de “lavar roupas hospitalares”, a empresa declara atuar em publicidade, marketing, consultoria empresarial, produção musical, pesquisa de opinião, gestão de ativos e até artes cênicas.
Ou seja, uma empresa capaz de lavar lençóis pela manhã, produzir teatro à tarde e dar consultoria de marketing à noite.
CPI DA SAÚDE: A POPULAÇÃO QUER RESPOSTAS
Diante da gravidade dos fatos, a CPI da Saúde Municipal já foi protocolada na Câmara de Vereadores de Campina Grande, e aguarda apenas a abertura por parte do presidente da Casa, vereador Saulo Germano.
A expectativa é que a investigação revele a caixa-preta da Secretaria de Saúde, que há anos acumula escândalos, contratos suspeitos e relatórios severos do Tribunal de Contas.
Entre os episódios já registrados na gestão Bruno Cunha Lima, destacam-se:
• O fracasso do programa “Saúde de Verdade”, que custou milhões e foi contratado de uma empresa do Ceará;
• Consultorias milionárias de fora, sem resultados práticos;
• SUCATEAMENTO das UPAs, do Hospital Pedro I, do Dr. Edgley e da Maternidade ISEA;
• Relatórios do TCE-PB apontando obras inacabadas e execuções técnicas irregulares, além de explosão orçamentária para contratações de prestadores de serviço, principalmente, em anos pré-eleitorirais;
• Atrasos de pagamento de prestadores, clínicas, hospitais e servidores;
• Falta de insumos e medicamentos em toda a rede;
• Apropriação indevida de verbas federais e emendas parlamentares destinadas a instituições filantrópicas;
• E até mortes não esclarecidas na Maternidade ISEA.
Tudo isso em meio a um colapso administrativo e financeiro sem precedentes.
O SILÊNCIO QUE GRITA
Até agora, a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde não apresentaram explicações sobre a contratação da LAVAMEDI, nem sobre a suposta ausência de licitação, as licenças ambientais para funcionamento de uma lavanderia industrial, ou a relação com a holding HPE.
Enquanto o silêncio prevalece, o dinheiro público escorre pelo ralo — e a cidade assiste, estarrecida, a mais um capítulo de uma gestão que prometeu moralidade e entrega escândalo atrás de escândalo.
A CASA PARECE TER CAÍDO?
O “Caso LAVAMEDI” pode se tornar um divisor de águas na política de Campina Grande.
Há indícios de favorecimento empresarial, desvio de finalidade, falsas declarações cadastrais e contratos emergenciais fabricados.
A CPI da Saúde pode, enfim, abrir a caixa-preta da administração municipal e revelar para onde vai o dinheiro que falta na ponta, nas unidades, nos hospitais e nos bolsos dos servidores.
Campina Grande exige respeito, transparência e justiça.
CPI JÁ.
Resumo dos Fatos
• Empresa criada em dezembro de 2024;
• Contratos milionários firmados em abril e agosto de 2025;
• R$ 3,2 milhões pagos sem licitação;
• Endereço residencial;
• Holding de fachada;
• E uma CPI da Saúde pronta para estourar.
Com a palavra, os que fazem parte da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande.
A cidade quer saber: quem estaria lavando o dinheiro público?