Campina Grande vive um dos momentos mais delicados de sua história administrativa e financeira, mas um levantamento baseado em dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revela um cenário que revolta a população: somente em 2025, a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) gastou R$ 230.170,00 em diárias.
O valor faz parte de um montante ainda mais impressionante: R$ 1.196.399,30 em diárias pagas pela Prefeitura de Campina Grande no mesmo período.
Enquanto isso, a realidade nas ruas é outra.
A cidade convive com:
• salários atrasados e prestadores de serviço sem receber
• denúncias constantes na área da saúde
• crise estrutural em equipamentos públicos
• problemas na infraestrutura urbana
• fornecedores reclamando de falta de pagamento
• clima de instabilidade administrativa
O contraste entre o discurso de dificuldades financeiras e os gastos elevados com diárias levanta um questionamento inevitável: qual é, de fato, a prioridade da gestão?
As diárias são verbas indenizatórias destinadas a cobrir despesas com viagens a serviço. O problema não está na existência do instrumento legal, mas no volume gasto em meio a um cenário de colapso financeiro, falta de planejamento e contenção de despesas em setores essenciais.
Para especialistas em contas públicas, momentos de crise exigem:
• corte de gastos não essenciais
• controle rigoroso das despesas
• transparência na destinação dos recursos
Nada disso parece acompanhar os números apresentados.
A STTP, que deveria concentrar esforços na melhoria da mobilidade urbana, organização do trânsito e eficiência do transporte público, agora aparece no centro de um debate sobre prioridades administrativas.
A pergunta que ecoa nas ruas é direta:
como pode faltar dinheiro para áreas essenciais enquanto centenas de milhares de reais são destinados a diárias?
O caso ganha contornos ainda mais graves quando colocado lado a lado com o atual cenário financeiro do município, marcado por atrasos, queixas de servidores, serviços comprometidos e sucessivas denúncias de desorganização administrativa.
A crise existe — e os números mostram que ela não é apenas financeira, mas também de gestão.
A população paga a conta.