Um fato curioso — e ao mesmo tempo escandaloso — vem chamando a atenção dos servidores da Saúde do Município de Campina Grande.
Trata-se da empresa LAVAMEDI PRO SERVIÇOS, CONSULTORIA E ATENDIMENTO HOSPITALAR LTDA, criada em dezembro de 2024, e que em menos de um ano já teria abocanhado quase R$ 3,2 milhões da Secretaria Municipal de Saúde, simplesmente para lavar roupas hospitalares.
Enquanto médicos, enfermeiros e prestadores de serviço enfrentam atrasos salariais de meses, a LAVAMEDI, instalada em uma residência comum na Rua Clementino Siqueira, nº 464, no bairro Jardim Tavares, cresce a passos largos e sem explicações claras.
DADOS OFICIAIS: OS MILHÕES DA LAVANDERIA
Segundo informações disponíveis no SAGRES do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), a Prefeitura de Campina Grande, através do Fundo Municipal de Saúde, firmou três empenhos milionários com a empresa recém-criada.
Total contratado e pago em 2025: R$ 3.215. (3,2 milhões de reais)
UMA “LAVANDERIA INDUSTRIAL” QUE FUNCIONARIA EM UMA PEQUENA CASA DE BAIRRO RESIDENCIAL
O endereço registrado no CNPJ da LAVAMEDI indica uma residência simples em Campina Grande — sem características estruturais de lavanderia industrial.
Mesmo assim, a empresa teria obtido licenças ambientais e sanitárias em tempo recorde, algo que levanta sérias suspeitas sobre a regularidade do processo.
A situação se complica ainda mais quando se descobre que a LAVAMEDI pertence à HPE Holding Participações LTDA, uma suposta empresa controladora que também funciona em uma modesta casa na Rua José Elpídio da Costa, nº 92, no bairro São José.
O capital social declarado da LAVAMEDI é de R$ 500.000,00, tendo como administradora e representante legal Elayne Mariano Oliveira, que aparece também como responsável pela holding.
CNPJ REVELA UMA EMPRESA “MULTIFUNÇÃO”
Além de serviços hospitalares e lavanderia, o CNPJ nº 58.541.682/0001-20 revela que a empresa atua — ao menos no papel — em uma incrível variedade de áreas, entre elas:
• Consultoria em tecnologia da informação
• Agências de publicidade e marketing direto
• Pesquisa de opinião pública
• Consultoria em gestão empresarial
• Produção teatral e musical
• Treinamentos profissionais e educacionais
• Gestão de ativos intangíveis
• Limpeza predial e domiciliar
• Artes cênicas e espetáculos
Ou seja: uma empresa que lava lençóis pela manhã, produz teatro à tarde e faz marketing digital à noite.
SEM LICITAÇÃO E COM PAGAMENTOS “POR RECONHECIMENTO DE DÍVIDA”
Documentos obtidos no SAGRES mostram que parte dos valores foi paga sob a justificativa de “Reconhecimento de Dívida”, termo usado quando não há contrato formal e o pagamento é feito posteriormente, alegando urgência ou execução prévia de serviço.
A contratação sem licitação e o volume de recursos repassados em tão pouco tempo indicam fortes indícios de irregularidades, especialmente diante do quadro de crise financeira da Prefeitura de Campina Grande e dos atrasos de pagamento enfrentados pelos trabalhadores da saúde.
SERVIDORES REVOLTADOS
Enquanto o dinheiro público flui rapidamente para a lavanderia milionária, os servidores municipais relatam falta de medicamentos, atraso de salários e unidades fechadas.
Um servidor ouvido sob reserva resumiu o sentimento da categoria:
“A gente trabalha, rala, e não recebe. Mas sempre aparece uma empresa criada do nada recebendo milhões. Isso é um deboche com quem está na ponta atendendo a população.”
PREFEITURA SILENCIA
Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande não se pronunciou oficialmente sobre:
• O processo de contratação da LAVAMEDI;
• A ausência de licitação;
• As licenças ambientais e sanitárias;
• E a relação da empresa com a HPE Holding Participações LTDA.
A ausência de respostas fortalece o apelido que já circula nos bastidores da própria gestão: “O Escândalo da Lavanderia de Ouro”.
O QUE PODE ACONTECER AGORA
Diante dos indícios levantados, espera-se que órgãos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e a Controladoria-Geral da União (CGU) abram investigação formal sobre o caso, apurando:
• Possível fraude em processo de contratação;
• Falta de transparência no uso dos recursos da Saúde;
• E eventual prática de favorecimento empresarial e conluio político.
Enquanto isso, o que sobra é revolta — e a sensação de que em Campina Grande o dinheiro público continua sendo lavado… literalmente.
Resumo dos fatos:
• Empresa criada em dezembro de 2024;
• Endereço residencial;
• Recebeu R$ 3,2 milhões em 2025;
• Sem licitação;
• Ligada a uma “holding” igualmente suspeita;
• E com mais de 20 atividades comerciais no mesmo CNPJ.
Com a palavra, os que fazem parte da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande.
COM INFORMAÇÕES DO SITE PODER PB