Uma manifestação histórica tomou as ruas de Campina Grande, e, diante da decisão do prefeito Bruno Cunha Lima de acionar a Justiça contra os servidores que reivindicam direitos básicos, o sindicalista Napoleão Maracajá publicou uma resposta dura, direta e sem concessões. A carta expõe o distanciamento da gestão municipal, a falta de diálogo e a postura considerada autoritária por grande parte da categoria. A seguir, o texto na íntegra.
Resposta ao Prefeito de Campina Grande após a ação na Justiça contra os servidores
Por Napoleão Maracajá
Senhor Prefeito,
Os trabalhadores e trabalhadoras do município foram às ruas reivindicar o que é básico e justo: um calendário de pagamento dentro do mês trabalhado, Equipamentos de Proteção Individual e condições adequadas de trabalho para oferecer um serviço público de qualidade à população. Ainda assim, a sua resposta foi acionar a Justiça contra quem luta por direitos.
O senhor, que há muito tempo se mantém distante do diálogo, ressurge da pior forma possível: terceirizando responsabilidades, evitando o confronto democrático e recorrendo a medidas que, na percepção da categoria, revelam covardia institucional. Acionar o Judiciário contra servidores que apenas reivindicam dignidade é, para muitos, uma grave injustiça.
Sua gestão, marcada pela dificuldade de diálogo, acumula problemas que aprofundam a insatisfação dos servidores:
– a não concessão das progressões;
– a ausência do decreto esperado há anos pelos trabalhadores;
– a não correção do adicional de risco de vida dos vigilantes, mesmo após compromissos públicos;
– o uso recorrente de instrumentos judiciais que, em vez de resolver problemas, têm sido percebidos como tentativas de silenciar quem denuncia injustiças.
Essas atitudes reforçam para grande parte da categoria a impressão de arrogância, prepotência e incapacidade administrativa, evidenciando um distanciamento cada vez maior entre a gestão municipal e aqueles que constroem o serviço público diariamente.
Os trabalhadores foram às ruas — e continuarão indo — queira o senhor ou não. A democracia não se curva ao medo, e nenhum processo judicial apagará o direito à reivindicação, à crítica e à resistência.
Sua gestão tem sido amplamente criticada, e muitos consideram seu desempenho um dos mais mal avaliados da história recente do município — avaliação que nasce das escolhas políticas tomadas ao longo do seu governo.
E, como bradou o grande Félix Araújo:
“Esta terra de bravos não será a terra de escravos, nem reinado da opressão.”
Senhor Prefeito, por mais que tente intimidar os trabalhadores com medidas judiciais, não conseguirá impedir que a categoria siga firme na luta. Continuaremos nas ruas, porque defender direitos é defender também a população de Campina Grande.
Napoleão Maracajá