O QUE MAIS IMPRESSIONA É A FALTA DE HUMILDADE NAS DECLARAÇÕES TALVEZ COM MEDO DE IR PRA RUA E LEVAR SONORAS VAIAS, COMO O QUE ACONTECEU NA UFCG, BRUNO CUNHA LIMA CHAMA SECRETÁRIO DE OBRAS PARA UMA SALA E DIZ QUE:


DISCURSO DESCOLADO DA REALIDADE: A CIDADE REAL QUE BRUNO CUNHA LIMA NÃO MORA

O que mais chama atenção nas recentes declarações do prefeito de Campina Grande não é apenas a falta de humildade do discurso, mas a ousadia de afirmar, diante de uma câmera, que “os problemas históricos do município ou já foram resolvidos, ou estão sendo resolvidos, ou serão resolvidos” em sua gestão. A pergunta que se impõe é simples e inevitável: em que cidade vive o prefeito?

A afirmação soa como um deboche diante de uma população que convive diariamente com o colapso administrativo e financeiro do município. Campina Grande não vive um cenário de superação de problemas históricos, mas sim o aprofundamento de uma crise marcada por endividamento crescente, incapacidade de honrar compromissos básicos e abandono visível de serviços essenciais.

A gestão que acumula empréstimos sucessivos não consegue pagar servidores em dia, atrasa encargos trabalhistas, deixa hospitais, instituições sociais, fornecedores, clínicas, laboratórios e prestadores de serviço sem receber. O resultado é concreto e mensurável: hospitais municipais em estado crítico, como o Pedro I, o ISEA, o Dr. Edgley e o Hospital da Criança, unidades interditadas, UPAs e postos de saúde sucateados, falta de insumos, medicamentos e profissionais desmotivados por salários atrasados há meses.

O abandono não se limita à saúde. A cidade está tomada pelo lixo. Praças públicas, que deveriam ser espaços de convivência e lazer, encontram-se destruídas, sem manutenção, com equipamentos quebrados, iluminação precária e entulhos acumulados. Canteiros centrais e canais estão transformados em depósitos de lixo, móveis velhos, restos de obras e resíduos espalhados, expondo a população a riscos sanitários e de segurança. O cenário urbano revela descaso sistemático com a limpeza, a zeladoria e o mínimo de cuidado com o espaço público.

Enquanto isso, o prefeito se refugia em discursos gravados, longe das ruas, longe das vaias, longe do contato direto com a população que sente na pele o caos da gestão. Não há como conciliar o discurso otimista com a realidade do Terminal de Integração abandonado, da obra inacabada do Açude Novo, do prédio histórico da Prefeitura entregue à depredação, do Cine Capitólio com uma reforma que se arrasta sem fim, das praças destruídas e dos canteiros centrais tomados pelo abandono.

Diante desse cenário, soa ainda mais desconectada da realidade a promessa repentina de reforma da Feira Central. Não se trata de negar a importância do equipamento, mas de questionar a credibilidade de anúncios feitos por uma gestão que não consegue concluir obras, manter serviços básicos funcionando ou garantir o mínimo de estabilidade administrativa.

O problema não é apenas a promessa não cumprida. O problema é a naturalização de um discurso fantasioso, como se bastasse falar para uma câmera e publicar nas redes sociais para que a realidade se transforme. Campina Grande não vive um mundo imaginário; vive uma crise real, profunda e contínua, que exige responsabilidade, transparência e respeito à inteligência da população.

Negar o caos não o elimina. Ignorar hospitais interditados, servidores sem receber, praças destruídas, lixo espalhado pela cidade e obras abandonadas não reescreve a realidade. O discurso pode até tentar maquiar os fatos, mas a cidade real segue lá fora, desmentindo, todos os dias, a narrativa oficial.



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Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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