Operação Argos desarticula esquema do maior fornecedor de drogas da Paraíba e bloqueia mais de R$ 104 milhões

  • 26 Fevereiro 2026


"A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26), a Operação Argos, considerada a maior ofensiva já realizada pela instituição contra o crime organizado no estado. A ação acontece simultaneamente em cinco estados e mobiliza mais de 400 policiais civis no cumprimento de 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão.

De acordo com a corporação, a operação representa o golpe mais contundente desferido contra o narcotráfico interestadual nos últimos anos, tendo como principal alvo o homem apontado como maior fornecedor de entorpecentes para a Paraíba e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e Ceará.

O líder da organização criminosa foi identificado como Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras, mas radicado em São Paulo. Segundo as investigações, ele teria se consolidado como o principal hub de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste, com conexões diretas com o núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), a cúpula da facção.

Chocô foi preso em Hortolândia, no interior de São Paulo. Já em Pombal, no Sertão da Paraíba, foi preso o principal operador da organização no estado, identificado como Luciano. Veículos e diversos bens ligados ao grupo também foram apreendidos durante as diligências.

Investigação começou em 2023

As investigações tiveram início em meados de 2023, após uma série de apreensões recordes de entorpecentes em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas apreendidas pertenciam a um único proprietário, o que levou ao aprofundamento das apurações.

Entre as apreensões que embasaram a operação estão:

– 150 kg de cocaína em maio de 2023, em Patos

– 400 kg de drogas em junho de 2023, em Cajazeiras

– 1 tonelada de drogas em outubro de 2023, em Conceição

– 80 kg de cocaína pura em fevereiro de 2025, em São José de Piranhas

Somadas, as apreensões teriam causado prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.

Esquema movimentou meio bilhão de reais

A investigação também identificou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023. O grupo atuava em núcleos gerenciais e operacionais, com ramificações em diversos estados.

Foram determinadas pela Justiça:

– 44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso

– 45 mandados de busca e apreensão

– Bloqueio judicial de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 investigados

– Sequestro de 13 imóveis de luxo

– Sequestro de 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte

As ordens judiciais estão sendo cumpridas em 13 cidades, entre elas João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal e Cajazeiras, na Paraíba; São Paulo, São Bernardo do Campo e Hortolândia, em São Paulo; além de municípios na Bahia e no Mato Grosso.

Infiltração em contratos públicos

Outro ponto revelado pela investigação foi a suspeita de infiltração da organização criminosa em contratos públicos. Uma empresa sediada em Pombal teria recebido quase R$ 3 milhões em empenhos para serviços de esgoto e lixo em 2024, mesmo sem possuir funcionários registrados. A suspeita é de que os recursos públicos eram utilizados para alimentar o tráfico de drogas liderado por Luciano.

Operação “Argos”

O nome da operação faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido como o gigante de cem olhos que nunca dormia. O simbolismo representa a vigilância permanente e o trabalho de inteligência realizado pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.

A Polícia Civil informou que novas informações serão divulgadas ao longo do dia e que será concedida entrevista coletiva para detalhar os desdobramentos da operação."

Com informações do Poder PB

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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