OPINIÃO | CRISE CATASTRÓFICA A VISTA NA CONSTRUÇÃO CIVIL DA PARAÍBA - O MERCADO IMOBILIÁRIO DE JOÃO PESSOA EM RISCO: ENTRE A GANÂNCIA E O ESGOTO


O chamado “boom imobiliário” de João Pessoa pode estar caminhando para um ponto de inflexão perigoso. Dois fatos graves, recentes e interligados, ameaçam comprometer de forma profunda a credibilidade do mercado imobiliário e da construção civil no litoral paraibano: as tentativas reiteradas de grandes construtoras de burlar a Lei do Gabarito e a degradação ambiental provocada pelo despejo de esgoto nas praias.

A Lei do Gabarito não é um detalhe técnico nem um capricho urbanístico. Trata-se de uma conquista histórica da Paraíba, responsável por preservar a paisagem, a ventilação natural, a qualidade de vida e a identidade urbana do litoral. É justamente esse diferencial que sempre vendeu João Pessoa como um destino único, organizado e sustentável — algo raro no Brasil. Ao tentar furar essa regra, parte do grande capital imobiliário ataca o próprio ativo que sustenta o valor dos imóveis.

O problema se agrava quando, paralelamente, surgem denúncias e registros recorrentes de esgoto sendo despejado no mar. A equação é simples e cruel: praia poluída afasta turistas; turismo em queda desvaloriza imóveis; insegurança jurídica e ambiental afasta investidores. O resultado pode ser devastador.

Especialistas já alertam para sinais claros de desinteresse de investidores e início de um desarranjo no mercado. A expectativa inflada de valorização permanente começa a ser questionada. Em um cenário mais extremo, não se pode descartar o estouro de uma bolha imobiliária, com queda abrupta de preços, encalhe de empreendimentos e retração severa nas vendas.

O chamado “olho gordo” e a malandragem de tentar flexibilizar conquistas históricas podem produzir o efeito contrário ao desejado. Ao invés de lucro fácil, o mercado pode colher desconfiança, retração e prejuízo. Investidor não aposta onde a lei é tratada como obstáculo e o meio ambiente como detalhe.

João Pessoa não pode seguir o roteiro de outras capitais brasileiras que cresceram sem planejamento, perderam o turismo de qualidade e hoje convivem com praias degradadas e imóveis superofertados. Se a identidade que tornou a Paraíba especial for destruída, o mercado imobiliário pagará a conta — e ela será alta.

Sem respeito à Lei do Gabarito e sem praias limpas, não há marketing, lançamento de luxo ou campanha publicitária capaz de sustentar preços ou atrair clientes. A fuga do turismo e do capital será apenas consequência.

A pergunta que fica é direta: vale a pena destruir o diferencial que construiu o valor de João Pessoa em troca de ganhos imediatos de poucos?

Hashtags:

#JoãoPessoa #MercadoImobiliário #LeiDoGabarito #Urbanismo #ConstruçãoCivil #MeioAmbiente #PraiasDaParaíba #Opinião #ImobiliárioPB #TurismoEmRisco

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

Pressione ESC ou feche