O anúncio de uma “greve” do setor da construção civil em João Pessoa entra facilmente para o anedotário político e econômico da Paraíba. Não se trata de trabalhadores explorados cruzando os braços por direitos básicos. Trata-se de empresários, organizados em sindicato patronal, tentando pressionar a sociedade depois de terem levado um freio da Justiça.
O setor, representado pelo Sindicato da Indústria da Construção da Capital, decidiu anunciar paralisação após o Tribunal de Justiça da Paraíba anular a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS). O motivo real, porém, não é a decisão judicial em si, mas o fato de que parte dessas empresas tentou burlar a Lei do Gabarito — uma das maiores conquistas urbanísticas da história da Paraíba.
A Lei do Gabarito não é um capricho ideológico nem um entrave ao desenvolvimento. É patrimônio coletivo. Protege a paisagem, o meio ambiente, a ventilação natural, a mobilidade urbana e a própria qualidade de vida. Foi justamente essa legislação que colocou João Pessoa e a Paraíba como referência nacional, enquanto outras capitais sucumbiram à verticalização predatória.
O que fizeram alguns empresários? Tentaram “flexibilizar” a lei na prática, empurrar projetos no limite da ilegalidade e, quando a Justiça corrigiu o erro, resolveram vestir a fantasia de vítimas.
Chamar isso de greve é uma distorção grosseira. Greve é instrumento de luta da classe trabalhadora. O que está sendo feito aqui é chantagem emocional: usar o discurso do emprego para esconder decisões empresariais irresponsáveis. É dizer, em outras palavras: ou deixam construir como queremos, ou paramos tudo.
A responsabilidade pela insegurança jurídica não é da sociedade, nem do Judiciário. É de quem apostou que a lei poderia ser dobrada pela força do capital. Perdeu a aposta e agora tenta jogar a conta no colo da população.
Se existe algo que o setor da construção civil deve à Paraíba neste momento, não é paralisação nem ameaça velada. É explicação pública. Explicar por que tentou burlar a Lei do Gabarito. Explicar por que colocou interesses privados acima de um modelo urbano reconhecido e protegido.
Enquanto isso não acontecer, qualquer “greve” anunciada continuará parecendo exatamente o que é:
uma piada de mau gosto travestida de mau gosto travestida de protesto.
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