Cabelo meticulosamente penteado para trás, jaqueta padrão impecável, camisa bem passada, óculos escuros de grife e uma trilha sonora dramática ao fundo. O resultado? Um dos vídeos mais constrangedores e oportunistas já protagonizados por um membro do alto escalão da Prefeitura de Campina Grande.
O personagem em questão é Dorgival Vilar, secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) do prefeito Bruno Cunha Lima. Enquanto a população ainda tentava lidar com o impacto do rompimento do reservatório da Cagepa, no bairro da Prata — que deixou uma vítima fatal, feridos e prejuízos materiais —, Dorgival, assim como boa parte da classe política, preferiu transformar o cenário de dor em palco para autopromoção.
O vídeo, cuidadosamente produzido, é um retrato fiel do descolamento entre a gestão municipal e a realidade do povo campinense. Em vez de empatia, espetáculo. Em vez de ação, encenação. O secretário tentou se vender como protagonista de um ato heroico, quando, na prática, sua função institucional se limita — e deveria se restringir — à limpeza urbana, serviço que não tem sido entregue nem na periferia da cidade, como mostram registros diários da população nas redes sociais.
É o retrato perfeito de uma administração que transformou o marketing em substituto da gestão pública.
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Politização da tragédia
PARECIAM URUBUS!!!
ABUTRES SE DELICIANDO EM UM BANQUETE, DIANTE DE CÂMERAS!!!
Dorgival Vilar não foi exceção. Como ele, boa parte da classe política local, que pouco ou nada tinha a colaborar de forma direta e efetiva, correu para explorar a tragédia como se fosse um trampolim de visibilidade.
O rompimento do reservatório escancarou uma Campina órfã de lideranças — sem rumo, sem norte, sem uma voz que traduza o sofrimento e a esperança do povo, há anos. O que se viu nas horas seguintes foi uma sequência deprimente de discursos ensaiados, aparições calculadas e tentativas de capturar, para uso próprio, a dor coletiva.
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Uma cidade sem comando
Há tempos Campina Grande deixou de discutir o que realmente importa. A cidade que já foi símbolo de trabalho, inovação e força empreendedora hoje amarga atrasos salariais, caos financeiro e desorganização administrativa sob a gestão de Bruno Cunha Lima.
Enquanto servidores não recebem, obras travam e serviços básicos falham, a prioridade da gestão parece ser a produção de vídeos de autopromoção, cuidadosamente roteirizados e editados para parecer “ação de governo”.
O prefeito, por sua vez, demorou a aparecer — e quando o fez, segundo relatos, apenas durante o momento de maior comoção, desaparecendo logo depois. A imagem de uma liderança ausente que só surge quando há câmeras e oportunidade de capital político.
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O retrato da decadência
A tragédia da Prata revelou mais do que a fragilidade: revelou o colapso moral e político de uma administração. Um governo que, diante da dor alheia, prefere a estética do espetáculo à ética do serviço público.
O vídeo do secretário da Sesuma é o símbolo máximo dessa fase sombria: a mistura grotesca de vaidade, oportunismo e incompetência. Um roteiro mal ensaiado, interpretado por quem confunde a função pública com papel de protagonista em uma espécie de propaganda eleitoral antecipada.
Campina Grande merecia respeito. Recebeu encenação.
Merecia respeito e liderança. Recebeu vídeos editados, vaidade e oportunismo político de quem deveria estar trabalhando — e não posando.
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