Campina Grande está de luto.
O rompimento do reservatório da Cagepa, no bairro da Prata, destruiu casas, espalhou medo e deixou uma vítima fatal — uma senhora que perdeu a vida em meio ao caos e à enxurrada. Famílias inteiras tentam, desde então, recolher o pouco que restou da própria história.
E foi justamente nesse momento de dor coletiva e extrema fragilidade que o prefeito Bruno Cunha Lima reapareceu nas ruas da cidade.
Não para consolar, nem para se solidarizar verdadeiramente.
Mas para repetir o roteiro de sempre: transformar tragédia em vitrine, sofrimento em encenação política.
Após meses de sumiço — cercado por denúncias, salários atrasados, contratos paralisados e uma prefeitura mergulhada em dívidas — o prefeito escolheu a tragédia da Prata para tentar se mostrar “presente”. E fez promessas: ajuda financeira às famílias atingidas.
Mas a contradição é gritante.
Como prometer auxílio, se a própria gestão não consegue manter os serviços básicos da cidade?
Campina vive um colapso: hospitais sem insumos, postos de saúde sem medicamentos, prédios públicos caindo aos pedaços, fornecedores sem receber e servidores sufocados pela incerteza.
A população, já exausta e de luto, reagiu com indignação.
“Porque o prefeito não aparece para a cidade para explicar o caos financeiro, faltando tudo na saúde e agora a gente sofrendo sem salários?”, questionou um morador do bairro.
“É muita coragem do prefeito aparecer aqui somente porque as pessoas estão fragilizadas, e a gente sabe que ele não vai resolver nada, como sempre”, desabafou outra moradora.
O gesto, que deveria ser de empatia, soou como oportunismo.
Não há sinceridade no olhar de quem ignora o sofrimento diário da cidade e surge apenas quando há câmeras e repercussão.
Campina Grande não precisa de performance — precisa de respeito, ação concreta e um prefeito que enfrente a realidade de frente, não de fachada.
A morte de uma moradora da Prata deveria silenciar qualquer discurso vazio.
Mas o que se viu foi um prefeito tentando capitalizar a tragédia, enquanto a cidade chora.
A dor do povo não é palco.
Campina está de luto — e o luto exige humanidade, não propaganda.
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