Bruno Cunha Lima briga politicamente como poucos para manter-se relevante. Mas governar não é brigar — é entregar resultado. E Campina Grande, após cinco anos, continua esperando por esse resultado.
Em uma entrevista "bola-ensaiada", o prefeito Bruno Cunha Lima à Rádio Caturité revela mais do que um discurso defensivo: expõe um político que, depois de cinco anos no poder, tenta convencer Campina Grande de que ainda merece uma nova chance — mesmo diante de uma administração que acumula crises, atrasos, denúncias e uma desorganização crescente em áreas estratégicas.
Bruno admitiu que a saúde está com problemas. Até aí, nenhuma novidade para a população, que enfrenta filas, falta de médicos, escassez de insumos, denúncias de negligência e episódios graves e recorrentes no Dr. Edgley, ISEA e no Hospital Pedro I. O que chama atenção é o discurso de que “há um plano de ação” — o mesmo argumento repetido há anos enquanto a rede municipal afunda em improvisos, cartões especiais do 'SAÚDE DE VERDADE',contratos emergenciais, terceirizações e estruturas precárias.
A cada novo episódio, a gestão reage com justificativas, mas sem apresentar resultados concretos. A realidade é que Campina enfrenta:
• Crise prolongada nos hospitais públicos;
• Mortes investigadas e ausência de responsabilização;
• Falhas graves no atendimento materno-infantil;
• Terceirizadas e prestadores com salários atrasados, deixando trabalhadores há meses sem receber;
• Denúncias constantes no Dr. Edgley, ISEA e no Pedro I;
• Estrutura administrativa fragmentada;
• Falta de planejamento e excesso de contratos emergenciais;
• Frenesi eleitoral permanente, distraindo a administração da gestão real;
• Perda de comando político e desgaste crescente.
Mesmo diante desse cenário, o prefeito insiste em repetir que é “honesto” e que Campina “o conhece”. A honestidade é premissa — não argumento eleitoral. Campina conhece, sim, mas conhece a administração que entregou à cidade: uma máquina desorganizada, sem rumo, sem política pública estruturada e incapaz de responder com eficiência às crises que ela própria cria.
Chama atenção também a frase de Cássio Cunha Lima, quando se referiu a Bruno como “um cidadão”. A declaração ecoa como um reflexo público do próprio isolamento político do prefeito. Na prática, o grupo que um dia foi a base de sustentação demonstra desgaste, distanciamento e falta de alinhamento com o prefeito que, hoje, tenta se manter de pé em uma administração em erosão.
Ainda assim, BCL pede “renovação de confiança”. A pergunta que Campina Grande precisa se fazer é simples: confiança em quê? No caos administrativo da saúde? Na precarização dos serviços públicos? No abandono do Açude Velho? No sucateamento de postos e escolas? No aumento das denúncias trabalhistas? No modelo de gestão guiado por reações e não por planejamento?
É natural que um governante queira defender sua obra. Mas é forçar demais pedir que a população ignore o que está acontecendo diante dos olhos: uma gestão que perdeu direção, perdeu autoridade, perdeu organização e perdeu capacidade de resposta.
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