O que está acontecendo com Campina Grande ultrapassa todos os limites do aceitável. A confirmação de que aposentados e pensionistas seguem com pagamentos atrasados, dependendo de “entrada de recursos” para receber o que é direito básico, expõe uma realidade humilhante: a atual gestão municipal já não consegue garantir sequer o pagamento em dia dos aposentados.
Aposentadoria não é favor. É salário. É direito adquirido após décadas de contribuição. Quando esse direito passa a ser tratado como algo incerto, condicionado a sobras de caixa, fica evidente que o município perdeu o controle das próprias finanças.
Diante desse cenário, surge uma pergunta que precisa ser feita em voz alta: onde está o dinheiro do fundo de previdência do município? Para onde foram os recursos que deveriam estar reservados exclusivamente para garantir o pagamento dos inativos e pensionistas?
Outra questão igualmente grave precisa ser enfrentada: nos recentes remanejamentos orçamentários promovidos pela Prefeitura, recursos da previdência teriam sido deslocados de sua finalidade original? Se isso ocorreu, estamos diante de algo extremamente sério, que exige investigação e transparência imediata.
A cidade vive hoje um ambiente de colapso administrativo. Atrasos salariais, dívidas com fornecedores, serviços públicos fragilizados e agora aposentados sem receber. Esse conjunto de problemas não nasce por acaso. Ele é consequência direta da ausência de planejamento, de gestão e de responsabilidade.
Campina Grande está sendo empurrada para o fundo do poço por uma condução que demonstra incapacidade de administrar o básico. E quando o básico falha, tudo desmorona.
A sociedade precisa reagir. Os órgãos de controle precisam agir. E os responsáveis precisam explicar, com números e documentos, o que foi feito com o dinheiro do povo.
Porque não existe justificativa aceitável para deixar aposentados sem salário.