Em uma Campina Grande mergulhada em dívidas, com salários atrasados e credores à porta, a gestão Bruno Cunha Lima encontrou espaço — e prioridade — para gastar quase R$ 3 milhões em uma decoração natalina frágil, repetitiva e distante de qualquer padrão de investimento responsável. São elementos reaproveitados, luzes pouco criativas e mais um contrato concentrado em uma única empresa que, ano após ano, domina a área de iluminação na cidade.
E, no meio desse cenário, o prefeito ainda anuncia que vai entregar a reforma da Feira Central.
Como disse Dalton Gadelha, com a objetividade que lhe é conhecida: “Essa gestão é uma tragédia.”
A fala que expôs o desprezo pelo momento e pelo público
O episódio mais simbólico ocorreu na sexta-feira, no Parque do Açude Novo — obra ainda inacabada, financiada por empréstimos e entregue pela metade. Ao invés de apresentar melhorias concretas ou explicar atrasos, o prefeito optou por direcionar sua fala a críticos e adversários políticos.
Não houve foco na cidade, no contribuinte que anda pelas ruas esburacados, nem no morador que depende dos serviços essenciais. A fala soou como um recado para dentro do próprio grupo político, não como um ato administrativo.
E todos sabem: quem da imprensa que não seguir a cartilha e ousar perguntar sobre o evidente caos administrativo/financeiro corre o risco de ser silenciado no ato.
A nova promessa: reforma total da Feira Central
Agora, o prefeito apresenta mais uma promessa: a reforma completa da Feira Central. Mas o que representa essa promessa dentro de uma gestão que:
• não conclui o Cine Capitólio,
• não entrega as avenidas anunciadas,
• não finaliza totalmente o Parque do Açude Novo,
• abandona o prédio histórico da Prefeitura, hoje condenado ao desmoronamento,
• depende de empréstimos para manter o básico,
• e acumula atrasos e obras paralisadas em diversas frentes?
A pergunta é inevitável: quanto vale uma promessa de uma gestão que não tem conseguido entregar o mínimo?
A saúde pública, o símbolo máximo do colapso
O quadro da saúde de Campina Grande é uma tradução fiel da desorganização instalada. E aqui é preciso registrar tudo, como solicitado:
• Postos de saúde sucateados, sem insumos e sem estrutura adequada.
• UPAs sobrecarregadas e funcionando no limite.
• Hospital Dr. Edgley sofrendo com falhas estruturais e operacionais.
• ISEA sem condições ideais para atendimento.
• Hospital da Criança enfrentando falta de medicamentos e atrasos recorrentes.
• Hospital Pedro I, interditado pelo COREN, um retrato extremo do problema.
• Hospitais privados e filantrópicos, como HELP, FAP, Antônio Targino e João XXIII, sem receber pagamentos da Prefeitura há meses.
• Clínicas de exames, laboratórios e fornecedores também sem pagamento.
• Médicos prestadores de serviço com cinco meses de salários atrasados, aguardando posição, sem resposta concreta da gestão.
É difícil construir um discurso festivo diante de uma realidade tão dura.
O que fica:
Enquanto a cidade enfrenta dívidas, serviços paralisados, prédios históricos comprometidos, caos na saúde e obras abandonadas, o prefeito decide priorizar uma decoração de Natal que não entrega impacto, não emociona e não dialoga com a gravidade do momento.
A soma disso tudo deixa a sensação de que Campina Grande vive um distanciamento completo entre discurso e prática.
#CampinaGrande #GestãoMunicipal #Opinião #DinheiroPúblico #ResponsabilidadeAdministrativa