O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, saiu em defesa do pastor Silas Malafaia ao participar neste domingo do culto de celebração do aniversário do líder religioso, que completou 67 anos. Ao subir no púbito, Paes destacou a "amizade de 20 anos" entre os dois e disse que, independentemente de "orientação política", manterá o apoio ao aliado.
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— Silas, meu pastor, eu vim aqui para te dizer um negócio, em um momento complexo, esquisito do país. Independente de orientação política, eu quero dizer o seguinte: nós estamos do seu lado. Mexeu com o Silas Malafaia, mexeu comigo. Viva a vida de Silas Malafaia, esse grande pastor — disse Paes.
No mês passado, o pastor foi incluído no inquérito que investiga atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos EUA pelos crimes de coação e obstrução da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por envolvimento na trama golpista, acusação pela qual foi condenado na semana passada. Em função disso, Malafaia também foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal ao desembarcar de Lisboa no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e, desde então, tem tentado mobilizar apoiadores que se manifestam em solidariedade a ele.
Relação com Paes
Em seu discurso durante o culto, Paes também disse que, "de vez em quando" recebe "broncas" do pastor, quando "desvia do que ele acha que tem que fazer na política". Os dois tiveram um atrito, por exemplo, durante a campanha eleitoral do ano passado, quando Malafaia mandou recolher panfletos da campanha de Paes distribuídos na porta de igrejas que tinham a imagem do pastor. À época, ele optou por não apoiar nenhum candidato publicamente no primeiro turno e cobrou o prefeito pelo uso de sua foto no material de campanha.
— Não autorizei ninguém a usar minha foto. Está errado. Não se usa a imagem de uma pessoa sem autorização na propaganda política, ainda mais quando estou em destaque, para enganar o povo. Ele não tem meu apoio — disse Malafaia, que também chegou a anunciar apoio ao candidato do PL, o deputado federal Alexandre Ramagem (RJ), caso ele chegasse ao segundo turno.
Distribuído nas semanas que antecederam o primeiro turno, o material destacava a posição do prefeito nas pautas de costumes, como o aborto e a legalização das drogas, buscando aproximação com o público evangélico e evitando a repetição de uma campanha de fake news da qual Paes foi alvo na porta de algumas igrejas quatro anos antes. Nos meses que antecederam a disputa, o prefeito também investiu na aproximação de lideranças da Assembleia de Deus em Madureira e da Igreja Universal, da qual o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), adversário de Paes, é bispo licenciado. Além teve como coordenador de campanha o deputado federal Otoni de Paula (MDB), pastor da Assembleia de Deus.
Informações do O Globo