Pílula estimula queima de gordura em repouso e preserva músculo, diz estudo


"Saúde - Um novo medicamento em forma de comprimido foi capaz de estimular a queima de gordura mesmo em repouso, sem perda de massa muscular, em testes com animais e em um estudo inicial com humanos. A estratégia pode representar um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ao aumentar o gasto de energia e melhorar o controle da glicose sem sobrecarregar o coração.

Os resultados foram publicados na revista científica Cell e descrevem uma nova classe de compostos desenhados para agir de forma mais seletiva nos músculos, evitando efeitos colaterais que costumam limitar terapias semelhantes.

O que essa pilula faz de diferente

Ao contrário de remédios tradicionais que ativam amplamente o sistema adrenérgico -o mesmo envolvido na resposta ao estresse-, a nova substância foi desenhada para "ligar" apenas um caminho específico de sinalização celular ligado ao metabolismo.

Na prática, isso significa que o medicamento:

aumenta a captação de glicose pelos músculos,

mesmo sem depender da insulina;

eleva o gasto energético e reduz gordura corporal;

não estimula excessivamente o coração, evitando taquicardia e lesões cardíacas;

preserva a massa muscular, um ponto sensível em tratamentos para obesidade.

Como o medicamento age no organismo

O medicamento age sobre o receptor beta-2 adrenérgico, uma espécie de "interruptor" presente em células do músculo, do coração e de outros tecidos. Quando esse receptor é ativado, ele pode acionar caminhos diferentes dentro da célula -alguns benéficos, outros nem tanto.

As drogas mais antigas ligam principalmente uma dessas rotas, que aumenta o metabolismo, mas também acelera os batimentos cardíacos e pode sobrecarregar o coração.

O novo composto foi desenhado para ativar um caminho alternativo, mediado por uma proteína chamada GRK2. Essa rota estimula o músculo a captar glicose e gastar mais energia, inclusive em repouso, sem acionar os sinais ligados aos efeitos cardiovasculares.

Essa abordagem é chamada de agonismo enviesado: em vez de "ligar tudo", o medicamento ativa apenas a via celular associada aos efeitos desejados."

Com informações do g1

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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