O anúncio do possível início da reforma da Feira Central de Campina Grande, feito de forma unilateral pelo prefeito Bruno Cunha Lima, expôs de maneira constrangedora o estado de desorganização interna da gestão municipal. Ao ignorar completamente o secretário de Planejamento, Marcus Anderson de Figueiredo Nogueira, o prefeito deixou claro que a pasta responsável por pensar a cidade não planeja absolutamente nada.
Não se trata apenas de ausência em um evento. Trata-se de uma desautorização pública, de um recado político explícito: o Planejamento perdeu relevância, credibilidade e comando dentro da própria Prefeitura.
UM SECRETÁRIO QUE NÃO PLANEJA, NÃO DECIDE E NÃO ENTREGA
O problema, porém, vai além do gesto do prefeito. A Secretaria de Planejamento está sob comando de um gestor sem qualificação técnica compatível com a função, sem histórico de atuação em planejamento urbano e sem capacidade administrativa para liderar uma das pastas mais estratégicas do município.
Desde que assumiu, Marcus Anderson não apresentou projetos estruturantes, não estabeleceu fluxo eficiente de análise e não construiu diálogo institucional com o setor produtivo. O resultado é uma secretaria conhecida, hoje, não pelo que resolve, mas pelo que trava.
Na prática, Campina Grande tem um secretário que:
• Não tem peso político;
• Não tem autonomia;
• Não tem liderança técnica;
• E agora, claramente, não tem a confiança do prefeito.
CONSTRUÇÃO CIVIL EM COLAPSO: “CAMPINA PAROU NO TEMPO”
A reação do setor da construção civil é de revolta aberta. Empresários, construtores e representantes da indústria afirmam que Campina Grande vive o pior momento do Planejamento das últimas décadas.
Projetos básicos ficam meses — e em alguns casos anos — parados sem despacho. Não há previsibilidade, não há resposta objetiva e não há comando administrativo. O setor aponta a atual Secretaria de Planejamento como o principal gargalo do desenvolvimento econômico da cidade.
Representantes ligados ao Sinduscon-PB relatam que investidores estão migrando para outros municípios diante da incapacidade da Prefeitura de Campina Grande de dar andamento a processos simples.
“Campina Grande se tornou uma cidade hostil a quem quer investir”, resume um empresário ouvido pela reportagem.
JOÃO PESSOA AVANÇA, CAMPINA GRANDE AFUNDA
A comparação com João Pessoa é inevitável — e constrangedora. Enquanto a capital paraibana acelera licenciamentos, destrava empreendimentos, moderniza fluxos administrativos e amplia investimentos imobiliários, Campina Grande segue presa à burocracia, ao improviso e à incompetência administrativa.
João Pessoa cresce, gera empregos e atrai capital. Campina Grande emperra processos, afasta investidores e perde protagonismo regional. A diferença não está no mercado, mas na gestão.
CÂMARA DE VEREADORES: SILÊNCIO CÚMPLICE
Diante desse cenário, cresce a cobrança sobre a Câmara Municipal de Campina Grande. O Legislativo não pode continuar assistindo passivamente ao esvaziamento de uma pasta estratégica e ao colapso do diálogo com o setor produtivo.
Cabe aos vereadores:
• Convocar o secretário de Planejamento para prestar esclarecimentos;
• Exigir metas, prazos e fluxos claros;
• Questionar a permanência de um gestor que não entrega resultados;
• Defender o desenvolvimento econômico da cidade.
O silêncio da Câmara, neste caso, deixa de ser omissão e passa a ser conivência.
UMA GESTÃO QUE NÃO PLANEJA E NÃO LIDERA
O episódio da Feira Central sintetiza o retrato da gestão Bruno Cunha Lima: anúncios sem planejamento, secretários desprestigiados, setores produtivos sufocados e uma cidade que perde tempo, dinheiro e oportunidades.
Campina Grande não enfrenta apenas dificuldades administrativas. Enfrenta uma crise de comando, onde o Planejamento virou peça decorativa e o desenvolvimento urbano ficou refém da improvisação.
Enquanto isso, a cidade segue parada — olhando João Pessoa passar.