O ano de 2025 foi decisivo para a política paraibana não apenas pelo que aconteceu, mas principalmente pelo que começou a se desenhar. Mesmo sem eleições, o estado viveu forte antecipação do debate sucessório, crises institucionais de grande repercussão – como a cassação do prefeito de Cabedelo – e ganhou protagonismo nacional com a eleição de um parlamentar paraibano para a presidência da Câmara dos Deputados.
Entre investimentos anunciados pelo governo estadual, rearranjos partidários, disputas judiciais e a consolidação de pré-candidaturas ao Governo da Paraíba, 2025 funcionou como um ano de transição, pavimentando o cenário político que deve dominar a agenda em 2026.
Janeiro a março: largada da sucessão e protagonismo nacional
09 de janeiro – O vice-governador Lucas Ribeiro (PP) declara estar “preparado” para disputar o Governo do Estado em 2026, condicionando a decisão ao consenso do grupo liderado por João Azevêdo.
13 de janeiro – Governador João Azevêdo lança o programa “Paraíba 2025-2026”, anunciando um pacote de R$ 11,5 bilhões em investimentos (recursos próprios e federais) para obras e ações em todas as regiões.
01 de fevereiro – O paraibano Hugo Motta (Republicanos) é eleito presidente da Câmara dos Deputados para o biênio 2025-2026, em primeiro turno, com 444 votos, com apoio de um bloco amplo que reuniu partidos do governo e da oposição.
Abril a junho: Cabedelo entra em crise
30 de abril – João Azevêdo encaminha à ALPB projetos sobre Lei Orgânica e promoções na Polícia Militar, agenda que repercutiu no debate de segurança e carreira das forças estaduais.
27 de maio – Governador lança a Operação São João 2025, com reforço tecnológico, incluindo câmeras corporais e reconhecimento facial, ampliando o modelo de policiamento ostensivo e monitoramento em grandes eventos.
25 de junho – O Senado aprova o texto-base que aumenta o número de deputados federais; os três senadores da Paraíba (Daniella Ribeiro, Efraim Filho e Veneziano Vital do Rêgo) votam favoravelmente à proposta que ajuda a Paraíba se manter com 12 parlamentares na Câmara Federal.
25-28 de junho – A Justiça Eleitoral em 1º grau decide pela cassação dos diplomas do prefeito de Cabedelo, André Coutinho; da vice, Camila Holanda; e do vereador Márcio Silva, em processo ligado a abuso de poder/captação ilícita; o caso se torna um dos mais sensíveis do ano no TRE-PB.
Julho a setembro: tensão institucional e pré-candidaturas explícitas
14 de agosto – A ALPB promulga a LDO 2026 após o Executivo perder prazo; em seguida, houve publicação também no Diário Oficial com sanção/vetos, intensificando o ruído institucional entre poderes.
20 de setembro – A Procuradoria Regional Eleitoral defende a manutenção da cassação de André Coutinho em parecer ao TRE-PB, reforçando o peso do caso na agenda político-eleitoral do estado.
05 de setembro – O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, anuncia desfiliação do PP e reafirma publicamente a intenção de ser pré-candidato ao Governo do Estado em 2026, acelerando o xadrez sucessório.
Outubro a dezembro: decisões judiciais e cenário definido
02 de outubro – Os três senadores paraibanos antecipam voto favorável ao projeto de isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil, tema com impacto direto no debate fiscal e eleitoral nacional.
17 de novembro – O TRE-PB decidiu manter a cassação em Cabedelo, com determinação de que o presidente da Câmara assumisse interinamente até a realização de nova eleição, ampliando a instabilidade política no município.
18 de dezembro – TRE-PB define eleição suplementar em Cabedelo para 12 de abril de 2026, estabelecendo regras de eleitorado apto e calendário do novo pleito.
17-18 de dezembro – André Coutinho recorre ao STF para tentar suspender os efeitos da cassação e a convocação de novas eleições, mas o ministro André Mendonça mantém a decisão do TRE-PB
O que fica para 2026
A política paraibana sai de 2025 com um cenário praticamente desenhado:
- João Azevêdo fortalecido institucionalmente e cotado para disputar o Senado;
- Lucas Ribeiro e Cícero Lucena despontando como principais nomes ao Governo do Estado;
- Hugo Motta consolidado como liderança nacional;
- Cabedelo como epicentro de uma eleição suplementar que pode redefinir forças locais;
- E um ambiente de polarização moderada, com alianças em formação e disputas internas nos principais grupos políticos.
Com informações do Paraíba Já.