TRT-2 APURA CASO DE JUÍZA QUE CURSA MEDICINA EM PERÍODO INTEGRAL — EM CAMPINA GRANDE PB, O SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO, DIOGO LYRA, ENFRENTA DENÚNCIA IDÊNTICA NA GESTÃO BRUNO CUNHA LIMA (SE PAGA BEM, QUE MAL TEM ??)- MINISTÉRIO PÚBLICO JÁ ESTARIA COM O


TRT-2 APURA CASO DE JUÍZA QUE CURSA MEDICINA EM PERÍODO INTEGRAL —

EM CAMPINA GRANDE PB, O SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO, DIOGO LYRA, ENFRENTA DENÚNCIA IDÊNTICA NA GESTÃO BRUNO CUNHA LIMA (SE PAGA BEM, QUE MAL TEM ??)- MINISTÉRIO PÚBLICO JÁ ESTARIA COM O CASO MAS AINDA NÃO TERIA SE PRONUNCIADO

O Portal Migalhas trouxe nesta terça-feira uma denúncia de repercussão nacional envolvendo a juíza Adriana de Jesus Pita Colella, recém-promovida à titular da 2ª Vara do Trabalho de Santos (TRT-2). A magistrada é investigada pela Corregedoria após fortes indícios de incompatibilidade entre sua rotina forense e o curso de Medicina, que exige carga horária integral e presença constante — incluindo internato com frequência rígida.

Segundo o processo, a juíza teria participado intensivamente do internato enquanto declarava trabalho presencial no mesmo período. O TRT-2 reconheceu que magistrados podem cursar universidade, mas confirmou que acompanha o caso sob apuração sigilosa. O ponto em debate é simples e grave: é possível cumprir duas funções de dedicação integral ao mesmo tempo sem prejuízo ao serviço público?

E é justamente nessa pergunta que surge o paralelo direto com Campina Grande.

O CASO DIOGO LYRA: A VERSÃO CAMPINENSE DO MESMO PROBLEMA

Na gestão de Bruno Cunha Lima, o atual secretário de Administração, Diogo Lyra, também foi denunciado por supostamente cursar Medicina em período integral enquanto ocupa um dos cargos mais estratégicos e exigentes da Prefeitura. A denúncia já está sob análise do Ministério Público, que investiga se há:

• Compatibilidade real de horários;

• Frequência comprovada no curso;

• Cumprimento efetivo das funções públicas;

• Possível dano ao erário decorrente de dupla dedicação incompatível.

A situação se torna ainda mais sensível porque Campina Grande vive um colapso administrativo-financeiro na saúde: salários de médicos atrasados há cinco meses, Hospital da Criança e Dr. Edgley sem estrutura, falta de medicamentos nas UBSs, fornecedores sem receber há meses e denúncias de abandono generalizado. A pergunta inevitável é: um secretário que deveria estar integralmente à frente dessa crise pode, simultaneamente, cumprir carga horária integral em um curso de Medicina?

PARA PARALELO: DUAS CIDADES, UM MESMO DEBATE

Assim como no caso da juíza Adriana no TRT-2, o problema não é cursar Medicina. O problema é a matemática da vida real: 24 horas continuam tendo 24 horas, e cargos de dedicação intensa não combinam com internato, plantões acadêmicos e atividades obrigatórias que tomam manhãs e tardes inteiras.

O que o caso paulista começou a escancarar nacionalmente, Campina Grande já sente no dia a dia. Quando gestores se dividem entre funções incompatíveis, quem paga a conta é o serviço público e a população — especialmente na saúde.

ESPELHO NACIONAL

A denúncia do Portal Migalhas repercute pelo país, mas também ilumina práticas locais. Se em São Paulo o TRT-2 abriu investigação sigilosa, em Campina Grande o Ministério Público avança sobre denúncia semelhante, agora sob os refletores de um debate nacional sobre integridade, dedicação e responsabilidade no setor público.

A diferença é que, aqui, os efeitos são imediatos e dolorosos: postos sem insumos, servidores cobrando CPI da Saúde, atrasos, caos e sobrecarga.

E, no centro do colapso, um secretário sob suspeita de exercer duas atividades que, pela lógica, jamais caberiam no mesmo relógio.

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Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

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