Vereadores de João Pessoa dizem que legislação aprovada na Câmara não afronta Lei do Gabarito

“O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Dinho Dowsley (PSD), saiu em defesa da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), aprovada no ano passado, diante das críticas de que o texto afrontaria a Constituição Estadual por alterar regras relacionadas à chamada Lei do Gabarito. O tema está sendo discutido no Tribunal de Justiça da Paraíba e teve votação suspensa após pedido de vista do desembargador Onaldo Queiroga.


Durante a sessão ordinária desta terça-feira (28), Dinho afirmou que a norma municipal respeita os limites constitucionais e apenas regulamenta, no âmbito local, a ocupação urbana da orla. Ele também propôs a realização de um debate público sobre o tema, com a participação de representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público da Paraíba, Universidade Federal, Prefeitura de João Pessoa, setor da construção civil e ambientalistas. A data ainda será definida.


“A Câmara Municipal não tem prerrogativa de mudar uma lei estadual. Em nenhum momento ferimos a Constituição. A Lei do Gabarito está preservada. O que houve foi apenas uma regulamentação, com a manutenção dos limites de 12,9 metros na primeira faixa e 35 metros na última”, declarou o presidente.


Durante a sessão, Dinho exibiu um vídeo produzido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil da Paraíba (Sinduscon-PB) que explica a origem técnica e jurídica dos limites de altura. O conteúdo destaca que a Constituição Estadual adota a Maré de Sizígia — fenômeno que marca as maiores marés do ano — como ponto de referência (“marco zero”) para o início da faixa de proteção da orla, que se estende por 500 metros continente adentro.


De acordo com o vídeo, a Constituição estabelece alturas progressivas, de 12,9 a 35 metros, mas não define o modo como o escalonamento deve ser aplicado, atribuindo aos municípios o poder de regulamentar a ocupação do solo dentro dessas diretrizes.


A LUOS (Lei Municipal nº 166/2024) também adota a faixa de 500 metros, mas muda o ponto de partida: em vez da maré de sizígia, toma como referência a testada da primeira quadra. Na prática, o controle de altura avança um pouco mais sobre o continente. O vídeo sustenta que a norma municipal é até mais restritiva, especialmente nas áreas próximas à praia, ampliando a faixa de proteção em relação ao texto estadual.


“A Casa não pode se furtar de discutir um tema que é de sua competência. Estamos abertos ao diálogo e também a corrigir eventuais incorreções que venham a ser apontadas pela Justiça, sempre com respeito ao Judiciário e ao Ministério Público”, reforçou Dinho.


A discussão sobre o gabarito das construções na orla é antiga e costuma despertar tensões entre o setor imobiliário, ambientalistas e gestores públicos. A proposta de debate busca, agora, um ponto de equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. 


Com informações da Câmara de João Pessoa

Blog do Milton Figueirêdo

Milton Figueirêdo

Jornalista com especialização em telejornalismo.

Pressione ESC ou feche