Após demissão e afastamento das atividades religiosas, diaácono professor da UFCG é absolvido pela Justiça

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O diácono católico e professor Antônio Lisboa Leitão de Souza, demitido do cargo de professor da Universidade Federal de Campina Grande após processo administrativo disciplinar que apurou suposta prática de assédio sexual e moral contra alunas, foi absolvido nos dois casos por falta de provas, contradições das acusações e depoimentos de testemunhas que desmontaram as denúncias.

Sentença prolatada pela juíza Flávia de Souza Baptista aponta que as acusações e depoimentos contra Antônia Lisboa partiram de alunas que, durante os depoimentos, confessaram ter fortes ressentimentos contra o professor por conta do seu rigor acadêmico. "Nota-se que seus relatos apresentam incongruências e revelam motivações estranhas ao âmbito penal", escreveu.

Segundo a sentença, uma das testemunhas, por exemplo, "admitiu expressamente que guardava ressentimento pessoal do acusado por ter sido corrigida publicamente em sala quanto a um vício de linguagem ("veve"), além de ter reconhecido que o docente nunca praticou qualquer toque físico em relação à sua pessoa".

Além disso, outra aluna que acusou o professor de assédio no primeiro processo (também rejeitado pela Justiça) e que se tornou testemunha de acusação no segundo caso admitiu que foi reprovada pelo docente e reconheceu que "nunca presenciou toques corporais de índole sexual ou comentários sobre as vestimentas da vítima".

As alegações de que Lisboa recebia as alunas na porta da sala de aula com beijos foram rechaçadas por outras testemunhas. Já a versão de que ele teria assediado a estudante autora do segundo processo durante um ato em frente à universidade também foi considerada contraditória.

Para a juíza, ficou clara a inexistência de testemunhas que confirmassem as acusações, havendo apenas "a versão acusatória inteiramente isolada e infirmada pelos demais elementos de convicção coligidos em juízo".

Em 14 de julho, o MEC determinou a demissão de Antônio Lisboa após processo administrativo disciplinar. Agora, com as absolvições, os advogados buscam reverter a decisão. Já no dia 15 de julho, após pressão da imprensa, Lisboa foi afastado pela Diocese de Campina Grande da função de diácono.

Lenildo Ferreira - Hora Agora

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