Av. Paulista, palco de ato neste sábado, vira símbolo de disputa pelas ruas
Inaugurada em 1891 já com aspirações grandiosas, a Avenida Paulista, palco do último ato de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste sábado (24/10), é considerada um dos pontos mais importantes e simbólicos da cidade de São Paulo. Com a relevância que a via foi ganhando ao longo dos anos, o endereço também virou um palco ideológico e passou a ser um símbolo de disputa das ruas entre a esquerda e a direita.
No segundo turno destas eleições de 2026, por exemplo, tanto a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), quanto a de Lula, organizaram grandes atos em datas diferentes na avenida mais famosa de São Paulo. Uma delas, o dia 18 de outubro, foi alvo de uma disputa prévia nas redes sociais, visto que a esquerda e a direita estava anunciando atos no dia. No final das contas, Flávio Bolsonaro ficou com a avenida e realizou a manifestação.
Ao Metrópoles, a cientista política Tathiana Chicarino explicou que a Avenida Paulista virou um “ativo político” após passar por uma série de mobilizações populares até os dias atuais, passando pelas manifestações pedindo o fim da ditadura, pelas Diretas Já, protestos de 2013 até os atos políticos contemporâneos.
“Você ter uma [Avenida] Paulista muito cheia, tem visibilidade, cobertura jornalística. Então, é isso que eu estava falando, que é um ativo político. E por que Paulista e não outro lugar? Aí pega os aspectos urbanísticos, mas também esses aspectos de ser um lugar, historicamente, que vem se construindo desde a redemocratização, de ocupação, de mobilização”, contou Chicarino, que também é coordenadora do Curso de Graduação em Sociologia e Política da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
Chicarino apontou ainda que de 2013 para cá, a imagem política da Paulista se intensificou: “A partir de 2013, ela [Avenida Paulista] passou a ser muito mais disputada, não só ocupada, mas disputada. A gente tem dois grupos que vão disputar essas ruas, mas com a Paulista como um lugar muito importante”.
Com informações do Metrópoles