Brasília ganha protagonismo no Fórum Econômico Mundial
Em um cenário global marcado pelo avanço dos crimes cibernéticos, das fraudes digitais, da desinformação e do uso crescente da inteligência artificial em ataques virtuais, Brasília começou a consolidar um protagonismo estratégico no tema da cibersegurança. Nesse contexto, especialistas brasileiros passam a ocupar cada vez mais espaço em discussões globais sobre segurança digital.
Em maio de 2026, três representantes da capital federal participaram da reunião anual de Cibersegurança do Fórum Econômico Mundial, em Genebra, na Suíça. A reunião conecta autoridades internacionais, executivos das principais empresas do planeta, representantes de governos e especialistas responsáveis por discutir soluções globais para segurança cibernética, proteção digital e inteligência artificial.
O encontro reuniu cerca de 180 participantes de diferentes países: os 20 integrantes do Conselho Global de Cibersegurança do Fórum Econômico Mundial e outros 160 convidados especiais minuciosamente selecionados. Os únicos brasileiros presentes eram ligados a Brasília.
Os representantes do Brasil foram Humberto Ribeiro, o único brasileiro integrante do Conselho Global de Cibersegurança do Fórum Econômico Mundial; André Molina, secretário de Segurança da Informação e Cibernética do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República; e Átila Batista Bandeira, DPO e Gerente Executivo de Segurança da Informação e Segurança Cibernética na Unidade Segurança Digital e da Informação do Banco do Brasil.
Mais do que representar o País em um encontro internacional, os três simbolizam a relevância de Brasília como um dos principais centros de inteligência, segurança digital e defesa cibernética.
Humberto Ribeiro: o Brasil no conselho global
Humberto Ribeiro ocupa atualmente uma posição inédita para o Brasil: é o único brasileiro integrante do Conselho Global de Cibersegurança do Fórum Econômico Mundial, grupo formado por 20 lideranças internacionais no tema, que se reúnem mensalmente para discutir os principais desafios digitais do planeta. O empresário participa do Fórum desde 2002, como Global Leader for Tomorrow (líder global do futuro).
Engenheiro formado pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduado pelo MIT, Wharton e INSEAD, Humberto construiu uma trajetória ligada à tecnologia, inovação e cooperação internacional. Foi secretário de Comércio e Serviços do Governo Federal e professor visitante da Cornell University em Nova Iorque. Também fez parte de diretorias da FIBRA, SINFOR e SEBRAE Nacional, participando hoje da direção da FIESP em São Paulo. Atualmente, lidera a EPICENTOR e o CiberLab, iniciativa desenvolvida em parceria com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e a UnB.
Segundo ele, Brasília oferece uma posição estratégica dentro das discussões globais sobre segurança digital.
“Como capital federal, cidade cosmopolita e conectada às diversas realidades do País, Brasília oferece uma posição singular para comparar nossos avanços e desafios com diferentes experiências internacionais”, afirma.
Para Humberto, o avanço da inteligência artificial transformou completamente o cenário dos ataques cibernéticos.
“A IA amplia a velocidade, a escala e a sofisticação dos ataques digitais. Hoje vemos fraudes mais convincentes, golpes personalizados e exploração muito mais rápida de vulnerabilidades”, explica.
Apesar disso, ele ressalta que a tecnologia também pode fortalecer os mecanismos de proteção: “A inteligência artificial também fortalece a defesa. O desafio está em utilizar essas ferramentas de forma responsável e estratégica.”
Segundo Ribeiro, a boa notícia é que as instituições públicas e privadas estão se movendo de forma acelerada na direção da prontidão cibernética: “a alta liderança das organizações já compreendeu que segurança é muito mais que uma questão estritamente técnica, se tornando um pilar central que ameaça a própria sobrevivência do negócio em si, merecendo atenção preventiva por parte de presidentes e diretores”.
André Molina: o centro da segurança digital do País
André Molina chegou a Brasília em 2003, após se formar em engenharia da computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Na capital federal, construiu uma carreira diretamente ligada à proteção digital do Estado brasileiro. Antes de assumir a Secretaria de Segurança da Informação e Cibernética do GSI da Presidência da República, passou pela Aeronáutica, Controladoria-Geral da União (CGU) e Senado Federal, onde atuou em projetos de infraestrutura tecnológica, proteção de redes e continuidade de serviços estratégicos.
Segundo ele, a percepção de que a segurança digital deixaria de ser apenas um tema técnico surgiu ainda no início da carreira.
“Hoje, ataques cibernéticos podem parar hospitais, serviços públicos, sistemas financeiros e estruturas essenciais. Isso deixou de ser apenas um tema técnico há muito tempo”, afirma.
Molina alerta que a sociedade ainda subestima o impacto dos crimes digitais: “As pessoas ainda enxergam isso como um simples golpe no celular, mas hoje existem ataques capazes de paralisar países inteiros.”
Para o secretário, Brasília acabou se tornando um polo estratégico justamente por concentrar órgãos públicos, instituições críticas e centros de decisão nacional.
“Brasília acabou se tornando um polo importante nessa área porque aqui estão concentradas grandes iniciativas nacionais, órgãos de governo, academia e instituições estratégicas”, afirma.
Ele também defende que o Brasil precisa ampliar o chamado letramento digital da população.
“Precisamos entender que segurança digital é uma responsabilidade coletiva. Assim como ensinamos uma criança a atravessar a rua, também precisamos ensinar sobre riscos digitais”, pontua.
Átila Bandeira: a proteção digital de milhões
Outro nome de destaque na delegação brasileira foi Átila Batista Bandeira, responsável pela segurança cibernética do Banco do Brasil, uma das maiores instituições financeiras do Hemisfério Sul.
Com formação em tecnologia, MBA em negócios financeiros e mestrado em segurança cibernética pela UnB, Átila lidera a proteção digital de uma gigantesca operação que atende cerca de 80 milhões de clientes digitais.
Segundo ele, o sistema bancário brasileiro se tornou referência internacional justamente pela capacidade de proteção contra ataques virtuais e fraudes digitais.
“O sistema financeiro brasileiro é referência mundial em segurança digital. É justamente essa robustez que permite o avanço constante da inovação e dos serviços digitais”, afirma.
Átila destaca que Brasília passou a concentrar discussões estratégicas ligadas à segurança digital, tecnologia e inteligência artificial.
“A cidade concentra discussões regulatórias, políticas públicas, instituições estratégicas e eventos importantes ligados à tecnologia e segurança cibernética. Brasília tem vocação para esse setor”, diz.
Para o executivo, a segurança digital já deixou de ser apenas uma questão operacional.
“A segurança cibernética é hoje uma questão de sobrevivência para empresas, governos e instituições”, afirma.
A nova fronteira da segurança global
Nas discussões realizadas em Genebra, também foi consenso entre os participantes de diferentes países que a cibersegurança vai muito além de ser apenas um problema tecnológico, ocupando espaço central nas discussões econômicas, políticas e institucionais do planeta.
Em um ambiente que muitos especialistas já classificam como uma espécie de “guerra digital silenciosa”, governos e empresas enfrentam desafios ligados à proteção de infraestruturas críticas, dados sensíveis, combate ao crime organizado digital, ataques com inteligência artificial e disseminação de desinformação.
“É muito útil ter essa participação e não só conhecer, mas também apresentar o que a gente faz. E, assim, trazer essas iniciativas, que talvez possamos implementar nacionalmente. É um networking muito rico“, compartilha André Molina.
Enquanto as ameaças virtuais se tornam mais sofisticadas e frequentes, Brasília consolida seu papel estratégico nesse debate global – não apenas como centro político do País, mas também como um dos principais polos brasileiros de talento e soluções em inteligência, inovação e segurança cibernética.
Com informações de GPS Brasília