Empresários que assinaram manifesto sobre STF relatam intimidação
Um grupo de empresários paulistas que assinou um manifesto exigindo reformas no Supremo Tribunal Federal (STF) afirma ter sido alvo de contatos telefônicos de autoridades de Brasília com caráter intimidatório, nos quais se pedia a retirada de suas assinaturas do documento.
De acordo com matéria publicada pela Gazeta do Povo em 15 de setembro, esses contatos teriam sugerido a possibilidade de reabrir processos judiciais ou de causar prejuízos a ações já em andamento na Justiça, caso os signatários não recuassem em seu apoio ao texto.
O manifesto, batizado de "Pela Lei e pelo Brasil — Manifesto pela integridade das instituições e dos Três Poderes", veio a público em 9 de setembro e reúne 157 assinaturas de empresários, executivos, economistas e outras figuras públicas. Entre suas demandas estão a abertura de uma apuração independente sobre denúncias envolvendo autoridades e a instituição de um código de conduta para os tribunais superiores.
As acusações de intimidação vieram a público por meio do comentarista Caio Junqueira, no programa WW, da CNN Brasil. Uma fonte consultada pela reportagem da Gazeta do Povo confirmou ter ouvido falar de abordagens semelhantes.
Pedro Wongtschowski, ex-presidente da Ultrapar e uma das lideranças da iniciativa, disse desconhecer casos do tipo. Já a assessoria de imprensa do STF, quando procurada, afirmou não ter informações sobre o assunto.
O episódio reacende o debate sobre até que ponto empresários com processos judiciais em curso têm liberdade para se manifestar publicamente. Até o fechamento da reportagem, não havia confirmação de que as supostas pressões tivessem partido diretamente de ministros da Corte.