OPINIÃO MILTON FIGUEIREDO | O SHOW DE HORRORES PROMOVIDO POR MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Para o brasileiro comum, a Justiça é a última porta. É para ela que se corre quando um direito é violado. Por isso, assistir ao Supremo Tribunal Federal transformado em palco de acusações e confrontos é mais que constrangedor: é um golpe na confiança de milhões de brasileiros na própria Justiça.
O que o país viu foi ministros acusando ministros, trocando críticas e protagonizando bate-bocas diante das câmeras. Suspeições, impedimentos e questionamentos sobre processos completaram um cenário que deveria ser inimaginável na mais alta Corte do país.
Naquela sessão, a moral parece ter sido jogada no lixo. A expressão “reunião de gângsteres”, usada pelo comentarista Demétrio Magnoli, da GloboNews, dimensionou a indignação provocada pelo episódio. É opinião. Os confrontos, porém, foram públicos. E quando a própria Corte expõe suas fraturas diante do Brasil e do mundo, a crise deixa de ser interna e atinge a credibilidade da instituição.
O Supremo não pertence aos seus ministros. Pertence à República. Ministros passam; a Constituição fica. O cidadão não pode olhar para a última porta da Justiça e enxergar disputa, acusações e desconfiança. Quando a mais alta Corte perde a serenidade, o que está em jogo não é apenas a imagem dos ministros — é a confiança do brasileiro na Justiça.
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