OPINIÃO - MILTON FIGUEIRÊDO O BRASIL É O PAÍS DA HIPOCRISIA NÍVEL “HARD”
Você que ainda sonha em ver o Brasil alcançar um dia o nível de confiança institucional, seriedade e moralidade pública de países como Suíça ou Noruega pode diminuir as expectativas. Por aqui, a indignação parece funcionar de acordo com o endereço, o partido, o sobrenome e, principalmente, com quem está sendo investigado. O discurso muda conforme a conveniência. A régua moral também.
O espetáculo recente envolvendo o Supremo Tribunal Federal é particularmente grave porque estamos falando justamente da mais alta Corte do país. O STF deveria representar, para o cidadão comum, o último endereço da Justiça. Mas a crise provocada pelo caso Master expôs publicamente divergências, suspeições, questionamentos e confrontos internos entre ministros. Documentos e mensagens revelados pela imprensa também colocaram relações pessoais e profissionais de integrantes ou familiares de membros da Corte sob intenso escrutínio público. Isso não significa condenação antecipada de ninguém, mas exige esclarecimento rigoroso e transparência absoluta.
E o problema brasileiro evidentemente não nasceu nem termina no STF. Executivo, Legislativo e Judiciário acumulam, ao longo da história recente, sucessivos episódios de denúncias, investigações e escândalos. Mudam governos, partidos, presidentes, parlamentares e autoridades, mas permanece uma cultura política em que muitos defendem moralidade quando estão na oposição e descobrem surpreendentes justificativas quando chegam ao poder. A hipocrisia brasileira atingiu nível “hard”.
É por isso que uso uma expressão pesada, mas que traduz minha indignação: o Brasil institucional virou uma “putaria generalizada”. Não estou falando do povo brasileiro que acorda cedo, trabalha, paga impostos e tenta sobreviver dentro da lei. Falo de um sistema no qual relações de poder, interesses econômicos, conveniências políticas e proximidades pessoais frequentemente despertam dúvidas legítimas sobre onde termina o público e começa o privado. Enquanto moralidade continuar sendo arma contra adversários e escudo para aliados, sonhar com uma “Suíça brasileira” continuará sendo exatamente isso: sonho.
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