Opinião - Milton Figueiredo: Paraíba 2026: chegou a hora da verdade - sobram caciques, faltam vagas e ninguém está eleito
A eleição de 2026 na Paraíba acabou com o tempo das conversas confortáveis. Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho caminham para uma disputa pelo Governo em que alianças antigas estão sendo colocadas à prova e interesses que durante anos conviveram no mesmo ambiente agora precisam escolher lados. Lucas representa a continuidade do grupo que chegou ao poder com João Azevêdo; Cícero tenta transformar experiência e trajetória política em um novo projeto estadual; e Efraim procura consolidar uma alternativa de oposição. Agora não adianta discurso de unidade para fotografia: quando as chapas forem fechadas, haverá espaço para aliados e também uma fila considerável de contrariados.
No Senado, o problema é ainda maior: existem duas cadeiras e nomes politicamente pesados demais disputando espaço. João Azevedo, Veneziano Vital do Rêgo, Nabor Wanderley e Marcelo Queiroga representam grupos, estruturas e interesses distintos. É exatamente aí que a eleição ganha temperatura. Não existe milagre eleitoral capaz de acomodar todo mundo. Para alguém avançar, outro necessariamente ficará pelo caminho. E será nessa disputa que veremos até onde vão amizades, compromissos partidários e alianças construídas nos últimos anos. Na política, apoio anunciado é uma coisa; voto colocado na urna é outra completamente diferente.
O erro mais perigoso neste momento é alguém acreditar que estrutura, mandato, sobrenome, cargo ou quantidade de aliados garante vitória antecipada. Não garante. Prefeito não transfere automaticamente seus votos, governador não entrega eleitor em pacote fechado e liderança política nenhuma possui escritura de propriedade sobre o voto de ninguém. A eleição paraibana tende justamente a testar a capacidade real de transferência de votos dos grandes grupos políticos. Muito cacique descobrirá, quando a campanha chegar às ruas, se possui liderança verdadeira ou apenas uma extensa relação de aliados institucionais.
Por isso, 2026 poderá produzir rupturas importantes na política paraibana. Governo e Senado fazem parte da mesma engrenagem, e cada composição terá consequências. Lucas, Cícero e Efraim terão que demonstrar força além dos próprios círculos políticos; João, Veneziano, Nabor e Queiroga terão que disputar duas vagas que não comportam quatro projetos. Quando as urnas forem abertas, desaparecerão as narrativas, os acordos de gabinete e as demonstrações artificiais de força. Restará aquilo que sempre encerra qualquer discussão eleitoral: o voto. E esse ninguém pode declarar como seu antes do eleitor.
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