OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO: POR QUE A FAMÍLIA BOLSONARO ACEITA AS MESMAS URNAS QUANDO É A VITÓRIA DOS SEUS MEMBROS, GOVERNADORES, SENADORES E DEPUTADOS DO PL, MAS GRITAM FRAUDE APENAS QUANDO SOFREM DERROTA NO 2° TURNO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL?

Geral Redação Blog MF
OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO: POR QUE A FAMÍLIA BOLSONARO ACEITA AS MESMAS URNAS QUANDO É A VITÓRIA DOS SEUS MEMBROS, GOVERNADORES, SENADORES E DEPUTADOS DO PL, MAS GRITAM FRAUDE APENAS QUANDO SOFREM DERROTA NO 2° TURNO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL?
Reprodução

Existe uma contradição escandalosa no discurso de setores do bolsonarismo que precisa ser explicada ao Brasil. Por que as urnas eletrônicas são honestas quando elegem candidatos da direita, mas passam a ser fraudulentas quando derrotam Flávio Bolsonaro? Em 2026, Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo, Cleitinho venceu em Minas Gerais e Douglas Ruas conquistou o governo do Rio de Janeiro. Sem falar nas vitórias de outras lideranças da direita pelo país. Afinal, estamos falando das mesmas urnas, da mesma Justiça Eleitoral e do mesmo processo democrático. Ou a democracia só vale quando o resultado interessa?

A incoerência se torna ainda mais absurda quando observamos a própria família Bolsonaro. Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina, Jair Renan conquistou uma cadeira de deputado federal, Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, chegou à Câmara dos Deputados por São Paulo. Dois filhos, a esposa e o irmão de Jair Bolsonaro conquistaram mandatos pelo sistema eleitoral que parte de seus seguidores insiste em desacreditar. Se existisse uma fraude organizada para prejudicar o bolsonarismo, por que seus principais representantes seriam beneficiados por tantas vitórias? Que conspiração seria essa que derrota um Bolsonaro e permite a eleição de tantos outros?

A verdade é que não se pode transformar derrota eleitoral em acusação de fraude por pura conveniência política. Questionar resultados é um direito, mas apresentar provas é uma obrigação de quem faz acusações tão graves. Não existe lógica em comemorar governadores, senadores e deputados eleitos pelas urnas eletrônicas e, ao mesmo tempo, atacar a credibilidade dessas mesmas urnas exclusivamente na disputa presidencial. A ausência de provas não pode ser substituída por discursos inflamados, teorias conspiratórias ou pela incapacidade de reconhecer que milhões de brasileiros fizeram uma escolha diferente.

A pergunta é simples, direta e constrangedora: se as urnas foram honestas para eleger os Bolsonaro, por que seriam fraudulentas apenas para derrotar Flávio Bolsonaro? Democracia não é um jogo em que só se reconhece a vitória dos próprios aliados. Quem aceita as regras para disputar o poder precisa ter grandeza para respeitar o resultado quando perde. O Brasil não pode continuar refém de uma narrativa em que vencer significa democracia e perder significa fraude. Isso não é defesa da democracia. É oportunismo político, incoerência e uma preocupante falta de maturidade para aceitar a vontade popular.

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