OPINIÃO: Tyrone pode gastar alto, mas o PSB, do jeito que está, não faz coeficiente para federal- PODER PB
Fábio Tyrone parece ter entrado numa das apostas mais arriscadas da eleição proporcional de 2026 na Paraíba. O ex-prefeito de Sousa tem se movimentado, buscado apoios, ampliado conversas e tentando se colocar como o principal nome do PSB para deputado federal. Mas há uma realidade que nenhuma articulação individual consegue esconder: do jeito que a nominata está hoje, o PSB não tem densidade eleitoral para alcançar o coeficiente e eleger um deputado federal.
Esse é o ponto central. Tyrone pode ser competitivo individualmente, pode ter base no Sertão, pode construir alianças municipais e pode até gastar muito dinheiro tentando se viabilizar. Mas eleição para deputado federal não é uma disputa solitária. No sistema proporcional, o candidato depende do desempenho do partido. Sem nominata forte, sem cauda eleitoral e sem candidatos menores somando votos de verdade, até um nome com boa votação pode ficar sem mandato.
E é aí que o cenário se torna dramático para Tyrone. O PSB perdeu nomes que poderiam ajudar a compor uma chapa mais robusta, como Gervásio Maia, Pollyanna Dutra e Ricardo Barbosa. A saída de Ricardo Barbosa para o Progressistas, por exemplo, foi registrada pela imprensa paraibana no início de abril, dentro do movimento de reorganização da base governista em torno de outras legendas.
A própria fala de Tyrone, ao projetar uma nominata de cerca de 220 mil votos, revela o tamanho do problema. Se ele precisa defender publicamente uma conta tão alta, é porque sabe que sua eleição não depende apenas dele. Depende de uma soma coletiva que, hoje, o PSB não demonstra ter.
O partido até pode ter nomes na lista, mas uma lista não é necessariamente uma nominata competitiva. Há uma diferença enorme entre preencher vagas e ter candidatos de fato em campanha. Nos bastidores, a avaliação é que parte dos pré-candidatos menores do PSB não tem ritmo, estrutura, presença de rua nem musculatura eleitoral para contribuir com a votação total da legenda. Alguns podem sequer sustentar a pré-candidatura até o fim. Se esse quadro permanecer, Tyrone estará carregando uma chapa sem cauda.
Esse é o erro estratégico que pode custar caro. Tyrone pode gastar como candidato competitivo, mas estar abrigado em um partido que não oferece as condições mínimas para transformar voto em cadeira. Ele pode conquistar apoios, movimentar lideranças e crescer nas pesquisas, mas, se o PSB não alcançar o coeficiente, todo esse esforço será em vão. O voto dele ajudará o partido, mas não necessariamente elegerá o próprio Tyrone.
No quadro atual, a conclusão é dura: o PSB não caminha para eleger deputado federal pela Paraíba. Falta densidade, falta cauda, falta nominata e falta volume eleitoral. A legenda que já teve protagonismo no estado agora corre o risco de chegar à disputa federal com uma chapa formalmente montada, mas incapaz de atingir a votação necessária para conquistar uma cadeira.
Tyrone, portanto, não enfrenta apenas adversários externos. Ele enfrenta a fragilidade do próprio partido. E esse é o pior tipo de problema numa eleição proporcional, porque não depende apenas da força pessoal do candidato. Depende de uma engenharia coletiva que, até agora, o PSB não conseguiu construir.
Se nada mudar, Fábio Tyrone pode terminar a eleição como exemplo clássico de candidatura cara, barulhenta e frustrada: muita articulação, muitos apoios, muito gasto e nenhum mandato. Porque, na proporcional, não basta ter voto. É preciso estar no partido certo, com a nominata certa e com a cauda eleitoral suficiente para transformar votação em cadeira. Hoje, o PSB não oferece isso.
Com informações do PoderPB.