BTG estima impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027 com Bolsa Família, fim das bets e Desenrola

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BTG estima impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027 com Bolsa Família, fim das bets e Desenrola
Foto: Shutterstock

O pacote de medidas em curso no governo federal deve pesar R$ 55,8 bilhões nas contas públicas em 2027. A conta é dos economistas do BTG Pactual, que reuniram em um relatório de cenário macroeconômico de outubro o efeito combinado do reajuste do Bolsa Família, da proibição das bets e do lançamento do Desenrola 3.0.

Para o banco, o conjunto dessas iniciativas tem uma direção clara nas finanças do Estado. 'As medidas aumentam a rigidez orçamentária e ampliam o impulso fiscal', afirmaram os economistas no relatório.

Como se divide o impacto de R$ 55,8 bilhões

O maior peso vem do Bolsa Família. A partir de outubro, o programa recebe reajuste de 15,04%, movimento que responde por R$ 22,9 bilhões do total projetado para 2027. Com a correção, o piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago passa de R$ 675 para R$ 777.

A proibição das bets entra pela via da arrecadação. O fim das apostas representaria perda de R$ 14,7 bilhões em 2027, segundo os cálculos do banco. Já em 2026 o rombo estimado por essa frente seria de R$ 2,4 bilhões.

O terceiro item da conta é o Desenrola 3.0, com impacto de R$ 10 bilhões no próximo ano. O programa prevê a compra de carteiras de dívidas pela União, com desconto mínimo de 90% e um estoque de R$ 150 bilhões em dívidas a serem adquiridas. O desembolso tem teto de R$ 15 bilhões até 2028. Para 2026, o efeito dessa medida ficaria em R$ 5 bilhões.

Somadas, as três frentes já teriam impacto de R$ 22,3 bilhões em 2026, segundo o levantamento.

Pé-de-Meia, canetas emagrecedoras e combustíveis

Além do trio central, o relatório lista outras medidas que pressionam o orçamento. A universalização do Pé-de-Meia está prevista para 2027, com custo estimado de R$ 6,3 bilhões. A expansão levaria o programa dos atuais 4,6 milhões de estudantes para cerca de 7 milhões no próximo ano.

Na área da saúde, o banco considera a possível inclusão das canetas emagrecedoras no SUS, com impacto estimado de R$ 2 bilhões. Já tramita na Conitec um pedido de incorporação da semaglutida e da liraglutida.

No campo dos combustíveis, as medidas teriam efeito de R$ 9,1 bilhões em 2026. O BTG também cita a expectativa de reajuste de 15% na gasolina no primeiro trimestre de 2027.

Projeções de déficit, dívida e inflação

Com o novo cenário, o BTG revisou algumas de suas estimativas. A projeção de déficit primário do setor público para 2027 recuou de R$ 32 bilhões para R$ 27 bilhões, o equivalente a 0,2% do PIB.

A dívida bruta, por sua vez, deve avançar de 83,3% do PIB em 2026 para 87,6% em 2027. O banco também elevou a projeção de inflação para o próximo ano, de 4,4% para 4,8%.

No lado da política monetária, a expectativa é de Selic em 13,75% até o fim de 2026 e em 12,50% ao término de 2027.

 

Com informações de BP Money

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