OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO: HISTÓRICA E VERGONHOSA COVARDIA: FLÁVIO BOLSONARO, O LÍDER QUE FOGE DE JATINHO E ABANDONA SEUS SOLDADOS NA GUERRA QUE ELE MESMO ANUNCIOU
Flávio Bolsonaro apresentou-se como timoneiro de um movimento que convocou milhões de brasileiros a enfrentar um suposto “sistema”. Contra tudo e contra todos, seus seguidores foram chamados à linha de frente de uma guerra política, expondo seus rostos, suas famílias e suas reputações.
Nas redes sociais, enfrentaram adversários, atacaram autoridades, romperam amizades e assumiram riscos em nome de uma causa. Mas, diante da possibilidade de enfrentar pessoalmente as consequências, o comandante teria escolhido a rota de fuga. Um líder que convoca uma guerra não pode abandonar seus soldados quando chega a hora de sustentar as próprias palavras.
A história registra líderes que enfrentaram enormes sacrifícios por suas convicções. Nelson Mandela passou 27 anos na prisão. Lula conheceu o cárcere e retornou à Presidência. Durante a ditadura militar brasileira, homens e mulheres enfrentaram perseguições, prisões, torturas e exílios.
Não se trata de defender perseguições ou prisões injustas, mas de reconhecer que liderança exige responsabilidade, coragem e compromisso. Quem não demonstra disposição para permanecer ao lado daqueles que acreditaram em suas palavras não possui a grandeza necessária para comandar milhões de pessoas.
Se o comandante abandona o enfrentamento alegando perseguição, o que resta aos milhões de brasileiros que não possuem jatinho, influência ou proteção? Como ficam aqueles que colocaram a cara nas redes sociais, enfrentaram familiares e compraram brigas em nome de uma causa apresentada como patriótica?
É muito fácil convocar uma guerra quando são os outros que precisam permanecer nas trincheiras. A coragem que desaparece diante do risco pessoal não é coragem, é encenação. Na minha avaliação, a postura atribuída a Flávio Bolsonaro representa a fragilidade de quem colocou os próprios interesses acima dos compromissos assumidos com seus seguidores.
O mais grave é perceber que milhões de brasileiros podem ter sido mobilizados por um projeto político muito mais comprometido com os interesses pessoais e familiares dos Bolsonaro do que com os ideais que proclamava defender. Flávio Bolsonaro, na minha avaliação, revelou-se um líder de ocasião, um comandante sem coragem, incapaz de demonstrar a firmeza que tanto exigiu dos outros.
Não houve grandeza. Houve covardia política. A história não consagra comandantes que abandonam seus soldados para preservar o próprio conforto. Uma guerra política não se vence fugindo dela, muito menos deixando para trás aqueles que acreditaram na promessa. O jatinho pode oferecer distância e segurança, mas jamais transportará a coragem que faltou ao comandante.
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