OPINIÃO - MILTON FIGUEIRÊDO O EFEITO REVERSO DA FORÇOSA POLÊMICA MIDIÁTICA ENVOLVENDO O CANTOR WESLEY SAFADÃO E O SENADOR EFRAIM FILHO

Geral

 

 

A recente ação do Ministério Público Eleitoral envolvendo o cantor Wesley Safadão e o senador paraibano Efraim Filho abriu um debate que merece ser feito com serenidade e equilíbrio.

 

Durante apresentação no Maior São João do Mundo, no Parque do Povo, em Campina Grande, Wesley Safadão fez referência ao senador ao reproduzir um gesto que remete ao símbolo do foguete, amplamente utilizado por Efraim Filho em sua campanha ao Senado Federal. O gesto, vale lembrar, surgiu anos atrás dentro de um contexto político específico, quando Efraim repetia a frase “foguete não dá ré”, numa referência à firmeza de sua candidatura diante das críticas e previsões de adversários que apostavam em sua desistência ou derrota.

 

A questão que surge é simples: um gesto isolado, feito em tom aparentemente descontraído durante um show, teria efetivamente capacidade de influenciar de forma decisiva uma eleição que sequer começou oficialmente e que ainda está a vários meses de distância?

 

É legítimo que os órgãos de fiscalização eleitoral atuem na preservação da igualdade de condições entre os futuros candidatos. Essa é uma missão importante para a democracia. Entretanto, também é legítimo questionar se determinadas situações não acabam recebendo um peso desproporcional diante de seu real impacto no cenário eleitoral.

 

Na prática, poucas pessoas provavelmente teriam dado maior importância ao episódio. Muitas sequer teriam tomado conhecimento da cena. Contudo, após a judicialização do caso e a ampla repercussão gerada pela imprensa estadual e nacional, o assunto ganhou uma dimensão infinitamente maior do que possuía originalmente.

 

Surge então um fenômeno bastante conhecido na comunicação política: o chamado efeito amplificador. Ao tentar combater uma determinada mensagem, acaba-se proporcionando a ela uma audiência muito maior do que teria naturalmente.

 

Hoje, milhares de pessoas que jamais assistiram ao trecho do show passaram a conhecê-lo. Mais do que isso, passaram a associar a imagem de Wesley Safadão — um dos artistas mais populares do país — ao nome de Efraim Filho. Independentemente da intenção inicial do cantor, a repercussão nacional acabou produzindo uma exposição espontânea que dificilmente seria alcançada pelo episódio isolado.

 

Para muitos jovens, principal público do artista, a notícia acabou transmitindo a percepção de que Safadão possui, no mínimo, simpatia pelo senador paraibano. Essa leitura, correta ou não, passou a existir justamente em razão da dimensão que o caso recebeu após a intervenção institucional e sua intensa cobertura midiática.

 

O episódio demonstra que, na política moderna, nem sempre a tentativa de neutralizar uma mensagem produz o resultado esperado. Em alguns casos, o remédio acaba gerando efeitos maiores do que o fato que se pretendia combater.

 

Mais do que discutir um gesto em um palco de festa popular, o debate deveria estar centrado na razoabilidade, na proporcionalidade e na capacidade real de determinados atos influenciarem a vontade do eleitor. Afinal, numa disputa que ainda está distante de ocorrer, talvez a maior propaganda não tenha sido o gesto em si, mas a gigantesca repercussão criada em torno dele.

 

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