Banco Master usou word, pdfs e códigos para fabricar documentos falsos, diz PF
'Precisamos excluir a data' - A fraude investigada pela Polícia Federal no Banco Master funcionava como uma espécie de linha de montagem digital.
A PF identificou:
➡️ Dados reais de clientes extraídos de sistemas internos;
➡️ Documentos produzidos em massa com ferramentas do Microsoft Office;
➡️ Páginas de assinaturas separadas por programas desenvolvidos pela área de tecnologia; e
➡️ Peças reunidas em novos arquivos PDF para formar dossiês de contratos que seriam apresentados como créditos legítimos da Tirreno Consultoria ao Banco de Brasília (BRB).
Quando os documentos carregavam informações que poderiam revelar sua origem ou a verdadeira data de formalização, funcionários também atuavam para apagá-las ou alterá-las.
Em um dos casos analisados pela perícia, um Termo de Consentimento que trazia originalmente a data de 24 de fevereiro de 2023 teve esse registro removido em julho de 2025.
🔎 A relação triangular entre a Tirreno, Master e o BRB funcionou como um esquema de simulação e repasse de ativos ilíquidos. A Tirreno atuou como uma empresa de fachada, criada para formalizar R$ 7,15 bilhões em cessões fictícias de crédito consignado com o Banco Master que, por sua vez, utilizou essas carteiras sem lastro para vendê-las ao BRB. A equipe do Master montou uma "linha de montagem" para forjar amostras e simular a legitimidade das operações.
A estrutura foi descrita em relatório técnico-pericial da Polícia Federal, elaborado a partir de uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do Banco Master.
O arquivo, intitulado “Investigações internas – Banco Master”, tinha 30 slides e documentava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025 para a produção de documentos relacionados à cessão de créditos consignados ao BRB.
O material mostra que a operação combinava ferramentas comuns de escritório, programação e edição de documentos. O objetivo era transformar dados de operações reais e antigas em uma documentação que desse aparência de existência a uma carteira de créditos atribuída à Tirreno.
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