Mendonça usa contra a PF decisão que atingiu sua gestão na Justiça
Na decisão que afastou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, André Mendonça usou como argumento a seu favor um julgamento que atingiu sua própria gestão no Ministério da Justiça: o caso do dossiê produzido sobre servidores identificados com o movimento antifascista.
Com base nos relatórios de inteligência usados por Alexandre de Moraes contra ele, Mendonça sustentou que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram monitorados durante o mês de agosto. Para classificar a atuação como inconstitucional, citou a ADPF 722, relatada por Cármen Lúcia.
O caso surgiu em 2020, depois que o jornalista Rubens Valente revelou a produção de um relatório com informações sobre 579 servidores da área de segurança e professores universitários ligados ao movimento antifascista. Na época, Mendonça comandava o Ministério da Justiça.
Por 9 votos a 1, o Supremo suspendeu a produção e o compartilhamento das informações. Mendonça reconheceu posteriormente que o relatório existia, mas rejeitou classificá-lo como dossiê e defendeu a legalidade da atividade de inteligência. Agora, recorreu ao julgamento que impôs uma derrota à sua gestão para sustentar o afastamento da cúpula da PF.
Com informações do Metrópoles.