Rogério Marinho quer votos declarados da direita para derrotar Alcolumbre no Senado
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, quer propor que senadores de direita revelem seus votos na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A votação é secreta, mas ele avalia que a exposição dificultaria o apoio a uma nova gestão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) sem que os parlamentares precisassem justificar a escolha aos eleitores. “É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre”, afirmou.
O PL terá 29 senadores e o Novo, três. Com Republicanos, PP, Podemos e PSDB, o grupo poderia somar 47 votos — mais que os 41 necessários entre os 81 senadores. Mas a aliança não está garantida: Alcolumbre tem influência na distribuição de cargos, e os dois lados dizem contar com 48 apoios, mostrando que há votos incluídos nas duas estimativas.
Entre as críticas da direita a Alcolumbre estão a resistência a pautar pedidos de impeachment de ministros do STF e a condução do debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Bolsonaristas afirmam que ele favoreceu uma proposta de redução de penas, que não avançou. Também criticam a votação, durante a campanha presidencial, da PEC que acaba com a jornada 6x1, pauta defendida por Lula.
A tentativa de tornar os votos públicos tem precedente. Em 2019, Alcolumbre defendeu voto aberto na disputa contra Renan Calheiros, mas uma liminar de Dias Toffoli manteve o sigilo. Mesmo assim, alguns senadores declararam suas escolhas e exibiram as cédulas.
O PL também considera o risco de uma nova derrota. Em 2023, Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco por 49 a 32, e o partido passou dois anos sem comandar comissões estratégicas ou ocupar postos relevantes na Mesa. Em 2025, apoiou Alcolumbre em troca de espaço, incluindo a vice-presidência. Para os defensores de uma candidatura própria, o avanço eleitoral da direita mudou o cenário.
A federação União Brasil-PP anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre, mas vários senadores ainda não se manifestaram. Tereza Cristina (PP-MS), que também cogita disputar o comando, e Guilherme Derrite (PP-SP) criticaram o anúncio. A ideia de Marinho pode pressionar parlamentares e expor as divisões da direita.
Com informações de Jovem Pam News