OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO MOVIMENTO ESGOTEI PRECISA ENTENDER QUE JOÃO PESSOA NÃO PODE PARAR PARA ATENDER AOS SEUS CAPRICHOS E NÃO PODE TRATAR DESENVOLVIMENTO NATURAL DA CIDADE COMO INIMIGO
O Movimento Esgotei parece estar perdendo a noção dos limites de sua representatividade. Depois de conquistar espaço com denúncias importantes sobre o despejo irregular de esgoto e a preservação ambiental, agora resolve questionar uma intervenção viária fundamental para João Pessoa: o Complexo Viário, o VIADUTO Beira Rio–Altiplano. Fiscalizar é legítimo, cobrar transparência também. Mas querer transformar toda obra pública em uma batalha ambiental é exagerar no protagonismo e confundir militância com autoridade sobre os destinos da cidade.
João Pessoa cresce, atrai investimentos, novos moradores e enfrenta uma realidade incontestável: o aumento expressivo da circulação de veículos. Quem utiliza diariamente os acessos entre a Avenida Beira Rio, Altiplano, Cabo Branco, Tambaú e demais regiões da capital conhece os congestionamentos e a necessidade de soluções estruturantes. Grandes cidades precisam de viadutos, túneis, novas vias e intervenções urbanas. Não existe desenvolvimento sem intervenções, infraestrutura e decisões administrativas capazes de acompanhar o crescimento.
O cidadão pessoense tem a necessidade e prefeito Léo Bezerra já reafirmou a importância da obra, que representa uma resposta necessária aos desafios da mobilidade urbana. É evidente que estudos técnicos, licenciamento ambiental e exigências legais precisam ser respeitados. Entretanto, isso não significa conceder a um movimento social o poder de determinar o que pode ou não ser construído. O Movimento Esgotei precisa compreender seu verdadeiro tamanho: não representa sozinho a população de João Pessoa, não substitui as instituições públicas e muito menos possui autoridade para impor sua vontade à cidade.
O Movimento Esgotei precisa colocar os pés no chão e abandonar essa postura de querer ser mais do que realmente pode vir a ser. Uma coisa é defender o meio ambiente; outra, bem diferente, é agir como se tivesse recebido uma procuração coletiva para decidir o futuro da capital. João Pessoa não pode ficar refém do protagonismo de grupos que parecem querer apitar em tudo. A cidade necessita naturalmente crescer, melhorar sua mobilidade e avançar. Fiscalização é direito, mas desenvolvimento não pode ser tratado como inimigo.
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