OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO HÁ UMA SEMANA, LULA NÃO APENAS GANHOU MAIS UMA ELEIÇÃO HISTÓRICA, COMO TAMBÉM DEU UMA AULA DE POLÍTICA AOS ANSIOSOS
Lula deu uma verdadeira aula de política àqueles que, tomados pela arrogância e pela ansiedade, já se imaginavam vencedores de uma eleição antecipada. Mesmo diante de um cenário adverso, soube reunir as pessoas certas, apertar os botões corretos e fazer valer o peso de sua história. Mostrou que política exige experiência, capacidade de ouvir, compreender as diferenças e, sobretudo, saber falar à sociedade sem amedrontá-la com discursos radicais. Enquanto uns faziam barulho, Lula fazia política.
A família Bolsonaro e parte daqueles que se apresentam como representantes da direita cometeram um erro primário: confundiram o eleitor que rejeitava Lula com um admirador incondicional do bolsonarismo. São coisas completamente diferentes. O antipetismo não representa um cheque em branco para aventuras ideológicas, discursos extremados ou projetos familiares de poder. Aliás, muitos desses supostos representantes de uma nova direita são velhos integrantes de oligarquias políticas que há décadas se revezam no poder. De revolucionários, têm apenas o discurso.
A radicalização, a agressividade e a caça às bruxas que se intensificou entre os próprios aliados após a derrota apenas confirmam os limites políticos desse grupo. Lula compreendeu algo que seus adversários desprezaram: eleições são decididas também por quem não suporta extremos. Soube dialogar com diferentes setores, moderar o discurso e conquistar espaço entre os indecisos. Enquanto seus adversários alimentavam conflitos, Lula ampliava pontes. A política não é uma competição para descobrir quem grita mais alto, mas quem consegue reunir mais gente.
Flávio Bolsonaro nadou rápido demais. Nadou, nadou, acreditando que já havia vencido a travessia. Mas, quando avistou a margem, faltaram-lhe forças e acabou afundando. Lula, com a experiência de quem conhece as correntezas da política brasileira, veio no seu ritmo, administrou as dificuldades e ultrapassou o adversário. Aos ansiosos, ficou a lição: eleição não se ganha por antecipação, arrogância não substitui inteligência e experiência política não se improvisa. Lula venceu porque soube fazer aquilo que muitos dos seus adversários esqueceram: política.
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