OPINIÃO – MILTON FIGUEIRÊDO CAMPINA GRANDE: GUSTAVO BRAGA E O DESAFIO DE MEXER EM UMA MÁQUINA PÚBLICA CHEIA DE VÍCIOS
Em meio a um cenário administrativo complexo e a uma realidade financeira que impõe limites cada vez maiores ao poder público, o engenheiro Gustavo Braga tem assumido uma das tarefas mais difíceis dentro da Prefeitura de Campina Grande. À frente da Secretaria de Finanças e, atualmente, acumulando também a Secretaria de Saúde, ele recebeu o aval do prefeito Bruno Cunha Lima para promover uma revisão administrativa ampla, buscando colocar a máquina pública novamente em patamares de maior controle, especialmente no que diz respeito às despesas e à utilização dos recursos públicos.
Para isso, Gustavo Braga precisou cortar na própria carne, enfrentando excessos e práticas administrativas que não nasceram na atual gestão, mas que foram se acumulando ao longo de diferentes administrações. Campina Grande possui um orçamento limitado diante de problemas sociais e urbanos gigantescos, enquanto a demanda por serviços públicos cresce continuamente. O desafio, portanto, é tentar fazer mais com menos, reorganizando prioridades e buscando impedir que despesas sem planejamento continuem pressionando as contas municipais.
Esse tipo de mudança, naturalmente, não é confortável. Mexer em uma máquina pública cheia de vícios, rever despesas, estabelecer limites e contrariar interesses sempre provoca críticas e resistência. Gustavo tem enfrentado esse ambiente com firmeza, inclusive vindo de setores políticos que, historicamente, possuem interesses legítimos — e outros nem tanto — na estrutura administrativa. Quem tenta implantar uma mentalidade mais rigorosamente gerencial sabe que encontrará obstáculos, principalmente quando a ordem é controlar gastos e rever práticas consolidadas.
É preciso reconhecer, portanto, que administrar não significa apenas anunciar investimentos, inaugurar obras ou atender a todas as demandas. Também significa dizer não, cortar despesas, estabelecer prioridades e tomar decisões difíceis. Nesse aspecto, Gustavo Braga vem assumindo uma responsabilidade que poucos desejariam carregar, sobretudo agora com o acúmulo da Secretaria de Saúde, uma das áreas mais complexas da administração municipal. Sua missão é transformar controle financeiro em capacidade de gestão e fazer com que cada recurso disponível seja utilizado da maneira mais racional possível.
O trabalho de Gustavo Braga merece ser analisado para além das disputas políticas do momento. Ele recebeu do prefeito Bruno Cunha Lima a missão de promover uma revisão profunda da estrutura administrativa e tentar recolocar Campina Grande em um ambiente de maior rigor no controle das despesas. Pode-se discordar de decisões, cobrar resultados e fazer críticas — isso faz parte da democracia. Mas também é necessário reconhecer que, em uma prefeitura com orçamento limitado e problemas acumulados por décadas, alguém precisa ter coragem para enfrentar os vícios da máquina pública. E Gustavo Braga, gostem alguns ou não, decidiu encarar esse desafio.
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